4x04: "TELIKO"


Quatro homens afro-americanos desapareceram nas ruas de Filadélfia. O FBI e a policia não conseguem solucionar este caso... até que o corpo da vítima mais recente é descoberto. Surpreendentemente, violência não é a causa de morte. A estranha falta de pigmentação no corpo é teorizada como uma doença desconhecida. O Centro de Controle de Doenças convoca Scully para desvendar esse mistério médico.

Porém, Mulder acredita que isto seja uma simples patogenia. Sua investigações o conduzem a um encobrimento de uma morte semelhante em um vôo da África Ocidental, e a presença de uma nativa planta tóxica daquela área. Enquanto isso, Scully descobre que a glândula pituitária da vítima, que produz melanina entre outros hormônios, foi destruída de alguma maneira.

Enquanto a investigação dos dois continuam, o assassino ataca novamente. Ele seqüestra um jovem estudante negro que estava em um ponto de ônibus. A evidência conduz Scully e Mulder a um recente imigrante da África Ocidental, Samuel Aboah. Eles o prendem quando ele tenta escapar. Testes no hospital revelam que, entre outras anormalidades peculiares, Aboah não tem uma glândula pituitária. Uma dica de sua oficial da Nações Unidas conduz Mulder ao ministro Diabira, diplomata do país africano Burkina Faso. Relutantemente, Diabira admite que ele tinha ordenado o encobrimento do primeiro assassinato porque ele soube a identidade do assassino. Era um místico Teliko: espíritos do ar que chupam a vida e colorem as vitimas à noite. Quem acreditaria em um terrível folclore africano que voltaria à vida na América e no século 20? Ninguém... exceto Mulder.

Mulder explica sua teoria para a cética Scully: os Telikos não são entidades fantasmagóricas, são sócios de um clã africano que sobreviveu em cima de gerações, caçando humanos para roubar o que lhes faltam: glândulas pituitárias.

Aboah escapa do hospital. Durante a busca por Aboah, ele seqüestra Mulder. Scully vem à ajuda de Mulder, e para salvar sua vida atira em Aboah. E é destinada à verdade sobre o Teliko morrer junto com ele.

 

Bastidores

 

Assim como diversos episódios do produtor Howard Gordon, Teliko passou por um longo e sofrido processo de criação. Teliko nasceu de muitas noites de insônia, desespero e ansiedade, exatamente como O Raio da Morte na 3a. temporada, e Sem Dormir, na 2a.. Gordon explica:

- Antes de eu escrever este roteiro, tinha passado quase um mês trabalhando em uma história a respeito de alguém que tinha poderes de imortalidade, ou ao menos parecia ter. Com aquela eu estava indo no caminho errado.

Depois de várias discussões bastante intensas (e sessões de emergência para fumar charuto) com o produtor Ken Horton, Gordon teve a idéia de tirar do forno dois outros elementos da história, ou seja, vampiros albinos que sugam melanina das vítimas, e a idéia de xenofobia, ou aversão aos estranhos. Chris Carter deu sua aprovação à sinopse da história, e Gordon escreveu um primeiro esboço do roteiro, que todo mundo declarou ter odiado.

- Estava muito fora da linha - diz Gordon. - Mas Chris permaneceu calmo. Ele convocou uma reunião e eu anotei muitas coisas. Aí voltamos a nos reunir com Frank (Spotnitz) e todo o pessoal, e conseguimos reestruturar completamente o enredo da história. Basicamente eu tive de reescrever tudo em apenas quatro dias.

O episódio entrou na fase de produção e na fase final de autoflagelo, segundo Gordon.

- Eu tinha acabado de chegar das reuniões de pré-produção em Vancouver, quando Chris me perguntou, na frente do grupo todo: - Por que estamos contando essa história? - eu respondi: - Bem, Chris, não sei. Mas ela está sendo filmada, e tratarei de encontrar uma resposta para a sua pergunta. - e Gordon continuou: - Uma vez mais, Chris me disse que o episódio precisaria ser reescrito novamente, para poder chegar a uma coesão temática. E foi aí que ele surgiu com a idéia de enganar, mentir e trapacear. Eu trabalhei de novo na história durante aquele dia e a noite inteira, com esta tônica em mente. E o resultado não poderia ter sido melhor.

Gordon também explica que foi idéia de Carter o equipamento que Samuel Aboah usa para sugar melanina, combinando um cano de soprar com o extrator da pituitária, e de fazer com que ele levasse o instrumento letal escondido no esôfago.

A idéia por trás de Teliko não é totalmente fictícia. De fato, esse é o nome de uma mitologia africana, o "espírito do ar", algumas vezes considerado como albino. Em certas culturas africanas, os albinos são desprezados e insultados. O surgimento de Teliko em Burkina Faso, na África Ocidental, foi sugerido por John Shiban, baseado nas lembranças do tempo em que trabalhava programando tarifas postais aéreas em medidores eletrônicos de correspondência, para uma empresa de software para computador.

O processo de formação do elenco foi bastante difícil.

- Queríamos usar pessoas realmente africanas - diz o diretor de elenco de Los Angeles, Rick Millikan. - Infelizmente, na televisão não se dispõe de muito tempo. Só tínhamos alguns dias, de maneira que telefonamos para todo africano verdadeiro que conseguimos encontrar. Descobrimos uma equipe de atores africanos que passava em excursão pela cidade, ligamos para todos os consulados de países africanos e até para o comitê olímpico.

No final das contas, o ator americano Carl Lumbly, conhecido pelo seu papel como investigador Mark Petrie, na antiga série da CBS Cagney & Lacey, foi escolhido para o papel do funcionário do serviço de imigração Marcus Duff, originário do Caribe. Quem ficou com o papel de Aboah foi Willie Amakye, cidadão de Gana que fala inglês suficientemente bem, mas cuja língua materna é o fanti-achanti (o diretor James Charleston recorda que Willie Amakye era "meio verde, mas tinha grande facilidade de adaptação e boa vontade"). Amakye já fez parte da equipe olímpica de Gana quatro vezes (correu nas provas de 800 metros e de revezamento de 4x400 metros). Foi contratado para Arquivo X logo depois de retornar dos Jogos Olímpicos de Atlanta. Nos últimos doze anos reside no sul da Califórnia, onde ganha a vida como ator, tendo trabalhado em filmes como Congo e Amistad.

A transformação da aparência de Amakye, de negro para branco e de novo para negro, foi um grande desafio para a maquiadora Laverne Basham e sua assistente Pearl Louie.

- Antes de o conhecermos, examinamos diversas fotografias de albinos e de pessoas negras com vitiligo - diz Basham. - Mas não esperávamos que a pele de Willie fosse tão negra.

Ela explica que a solução encontrada foi aplicar diversas camadas de creme básico, e várias outras camadas de pó branco, misturado com um pouco de pó cor-de-rosa, para disfarçar a cor. O efeito dos olhos cor-de-rosa e transparentes de Aboah foi criado com lentes de contato.

Ao compor a música para a trilha sonora do episódio, Mark Snow utilizou seu equipamento eletrônico para criar os efeitos de tambores, flautas e cantos africanos, e admite ter colocado alguns acordes do Coral de Mulheres da Bulgária, uma gravação bastante conhecida no sul da Califórnia, que é utilizada todos os anos na campanha de arrecadação de fundos pela estação de rádio de domínio público KCRW.

Teliko assinalou a estréia do caríssimo modelo de compartimento de passageiros de avião, especialmente construído para os episódios Lapso de Tempo #1 e Lapso de Tempo #2, sendo utilizada neste episódio antes que fossem instalados os equipamentos hidráulicos para criar o efeito de avião sacudindo no ar.

* "Teliko" é uma palavra grega que significa "fim".

* A frase descritiva deste episódio foi mudada para "enganar, mentir e trapacear".

* Quando Mulder examina o cartão de imigrante residente de Samuel Aboah, vemos que sua data de nascimento é 25 de setembro, a mesma de Piper, filha de Gillian Anderson.

* Os perigos de assumir e deixar o personagem: antes do primeiro dia de filmagem de Willie Amakye em Vancouver, a cabeleireira Anji Bembem e seu assistente Dean Scheck tingiram o cabelo de Amakye de alaranjado, que torna mais fácil tingí-lo de preto para branco e de novo para preto. "No hotel as pessoas achavam que eu era o Dennis Rodman africano", diz Amakye.

* Amakye acrescenta que, em Los Angeles, um jovem casal de Malibu, com quem ele tem amizade, assistiu ao episódio e, quando ele perguntou o que acharam, o marido respondeu: "Willie, nós gostamos muito de você, mas é melhor afastar-se dos nossos filhos por uns tempos".