4x07: "MUSINGS OF A CIGARETTE SMOKING MAN" (MEDITAÇÕES SOBRE O CANCEROSO)


No escritório dos Pistoleiros Solitários, Scully e Mulder ouvem de Frohike o que pode ser o misterioso passado do Canceroso. Escondido no alto de um prédio, o Canceroso os escuta através de um dispositivo eletrônico, e seu rifle de vigia apontado para a porta do escritório. Qual era seu próximo objetivo?

Frohike acredita que o Canceroso é órfão desde bebê. Seu pai era um espião comunista, e morreu eletrocutado. Sua mãe morreu de câncer de pulmão. Em 1963, ele era Capitão do Exercito (no qual seu único amigo era o orgulhoso pai de Fox Mulder). Reconhecidas suas capacidades, a conspiração direitista que opera na sombras governamentais recruta o jovem oficial a sua primeira tarefa: o assassinato de John Kennedy. Após seu resultado vitorioso, ele acende o primeiro cigarro... e se torna o Canceroso.

Em 1968 J. Edgar Hoover recebe ordens do Canceroso, e nenhum presidente alguma vez suspeita de que ele exista. O Canceroso se encarrega pessoalmente da operação contra Martin Luther King. Ainda, até mesmo o Canceroso tem um sonho. Ele deseja ser um autor, e escreve portfólios políticos sob um nome fictício. Apesar de pilhas de rejeições, ele continua tentando.

No Natal de 1991, o Canceroso secretamente começa guerras, assassina lideres mundiais, frauda Oscars, eleições, Olimpíadas, e o Super Bowl. Apesar de seu poder, ele tem uma vida vazia e sozinha. E ele ainda deseja ter seus trabalhos publicados. E com a União Soviética dissolvida, nem mesmo faz inimigos.

Então acontece: um sobrevivente é descoberto no destroços de uma nave alienígena. Seu misterioso sócio, que é conhecido por Mulder e Scully como Garganta Profunda, executa sozinho o sobrevivente alienígena da nave. O Canceroso tem um novo propósito: esconder a verdade. Ele vai adiante com ímpeto nesta missão. Os jovens agentes do FBI Fox "o Estranho" Mulder e Dana Scully assumem os Arquivos X, sem saber eles são partes do plano do Canceroso.

Neste ano, o Canceroso fica feliz quando finalmente a revista aceita uma de suas historias. Ele se prepara para sua demissão, e acende seu último cigarro. Até que ele percebe que a revista não é nada mais do que um trapo barato, pois os editores mudaram toda a sua história. Com todos os seus sonhos destruídos, ele se senta em um banco do parque e medita sobre a semelhança da vida com uma caixa de chocolates barata. Acabado, o Canceroso acende um cigarro.

No presente, o Canceroso está com o dedo no gatilho no seu rifle de vigia, pronto para repetir o ato que começou sua carreira sombria. Ele assiste Frohike deixar o escritório. Ele atira? Não. Ele pode matar Frohike a qualquer hora, pois ele tem esse poder.

 

Bastidores

 

Houve uma certa preocupação antes da filmagem deste episódio, de que o dramático impacto do Canceroso, até agora uma figura furtiva e misteriosa que praticamente não tem história pessoal, poderia ser diluído ao se chamar demasiada atenção para ele durante um episódio inteiro. Aparentemente, uma coisa que não preocupou ninguém, foi que uma boa parte do público daria a toda essa premissa o seu devido valor.

Com um sorriso irônico, o co-produtor Frank Spotnitz diz:

- Na cena final, Frohike diz a Mulder e Scully que a história toda vinha de um artigo que ele havia lido numa revista de segunda classe. Muita gente não conseguiu entender essa sutileza. As pessoas acharam que se tratava da história verdadeira do Canceroso. Para mim, não é. Algumas coisas podem ser verdadeiras, e outras não. Mas, deixa prá lá...

Outros observadores de fora acharam que todo o episódio não passou de uma desculpa inteligente para dar aos atores principais uma semana de férias. Errado de novo.

- Quando Glen (Morgan) e Jim (Wong) voltaram para Arquivo X, esta foi uma das primeiras idéias que tiveram - explica Spotnitz. - E acontece que seria possível realizá-la sem a presença de David e Gillian, o que agradou todo mundo. De fato, tanto Duchovny como Anderson afirmam que este foi um dos seus episódios prediletos na temporada. Como era de esperar, só Duchovny citou sua semana de férias em Los Angeles como um fator de peso na sua opinião sobre o episódio.

Bill Davis declarou-se satisfeito em poder sair das sombras e ter um episódio todo seu, apesar de ter ficado intrigado, a princípio, sobre as aparentes contradições do roteiro. Assumir a responsabilidade pelas mortes de John F. Kennedy e Martin Luther King é uma coisa, segundo ele. Outra coisa bem diferente é manter os Buffalo Bills na disputa pelo Super Bowl. Caminhar pela estreita linha entre a tragédia e a comédia foi uma tarefa bastante difícil.

Chris Carter diz:

- Tive de falar com Bill diversas vezes. Passei horas ao telefone com ele, falando a respeito do personagem. Ele achava que o roteiro transformava seu personagem em uma coisa que de fato não era. Tentei explicar-lhe que, o que eu achava que Jim e Glen estavam tentando mostrar, era que mesmo que sua missão na vida seja a de destruir, no fundo existe uma esperança na sua mente de que pode tornar-se um criador, e que essa vaidade de repente é sua vaidade. E vemos isso com tamanha clareza aqui que o Canceroso de repente parece ser um homem bobo.

Davis reconhece a ajuda de Carter, e acrescenta:

- A direção de Jim Wong tamnbém foi uma grande ajuda. A maior parte da direção aponta para a farsa, mas Jim me mandou fugir disso e deixar que o tema se desenvolvesse. A cena de Forrest Gump - O Contador de Histórias também foi difícil. Quando me preparei e fiz a cena pela primeira vez, fui quase shakespeariano na minha abordagem. Jim me fez deixar isso de lado, e funcionou muito bem.

Como sempre, Morgan e Wong colocaram um antigo astro de Comando Espacial (Space: Above and Beyond) num dos papéis mais importantes. Desta vez foi Morgan Weisser, que fez o papel de Lee Harvey Oswald. Neste episódio, Chris Owens, que faz o papel do Canceroso quando jovem, é um ator canadense (como Davis) que voltou mais tarde, na mesma temporada, fazendo o mesmo personagem no episódio Demônios. Owens voltou depois, na quinta temporada, fazendo o papel do agente Jeffrey Spender, além de participar do episódio Prometeu Pós-Moderno como Mutato.

A produção de uma cena relativamente barata do assassinato de JFK foi um exercício interessante. O produtor J.P. Finn coordenou toda a cena, filmada em uma locação no centro de Vancouver como se fosse em Dealey Plaza. A estilista de guarda-roupa Jenni Gullett conseguiu falar com sua colega que havia trabalhado na produção do filme JFK, tomando por empréstimo a famosa roupa cor-de-rosa que Jackie Kennedy usava no filme. Depois, ordenou à sua assistente Janice Swayze que procurasse por todas as lojas da cidade o mesmo tipo de tecido para montar suas próprias cópias da roupa, para as cenas de antes e depois das manchas de sangue.

A limusine Lincoln Continental de JFK foi criada pelo coordenador de pintura de veículos Nigel Hapgood. Ele descobriu um conversível Continental comum, do mesmo ano, e fez a conversão necessária. Em um espaço de apenas três dias, ele criou a ilusão de uma limusine: (1) removendo os assentos de trás e trocando-os por bancos menores, e (2) colocando um par de caixas de leite no piso do carro repentinamente mais espaçoso, criando assim os bancos ocupados pelo governador Connally e sua mulher.

Os observadores cuidadosos talvez consigam perceber isso, assim como o fato de que Chris Owens teve que trabalhar duro para poder imitar a contento a mais importante das características físicas dos maneirismos do seu personagem.

- Ele passou bastante tempo observando a minha maneira de fumar - disse Bill Davis. - Finalmente, Jim só lhe disse: "Quando Bill dá uma tragada no cigarro, é o mesmo que sexo."

* Você consegue descobrir as referências à antiga série de Morgan e Wong Comando Espacial (Space: Above and Beyond) sepultadas neste episódio? 1. O primeiro romance do Canceroso chama-se Arrisque-se (que era uma expressão comum na série); 2. Certos casos são "secretos e especializados" (um nível de segredo inventado por Morgan e Wong para a sua série); 3. Nos romances do Canceroso, o personagem principal é chamado de Jack Colquitt. Este também era o nome de um soldado no episódio de Comando Espacial chamado Quem Monitora os Pássaros? (Who Monitors the Birds?).

* Garganta Profunda cita a "Resolução 1013 das Nações Unidas" como sendo a resolução que ordena a execução de todo alienígena encontrado na Terra. O número é uma referência ao nome da empresa produtora de Chris Carter, Ten Thirteen.

* "Walden Roth", o editor que finalmente compra o romance do Canceroso para uma revista, é batizado conforme os nomes de Dana Walden, diretora da divisão de drama da 20th Century Fox, e Peter Roth, presidente do grupo de entretenimento da Fox Broadcasting Company. Roth foi uma das pessoas que maior apoio deu à série Arquivo X nas suas primeiras temporadas.

* A revista em que aparece o romance do Canceroso é chamada de Roman à Clef que, em francês, quer dizer "a chave de um romance". A expressão refere-se ao romance em que o leitor deve identificar, sob o leve disfarce da ficção, os nomes de pessoas e eventos reais.

* Os observadores muito cuidadosos podem ter percebido que, na penúltima cena deste episódio, quando o Canceroso vai à banca de jornais e compra um exemplar da revista Roman à Clef, passa os olhos por várias revistas dirigidas a pessoas que aspiram à carreira de escritor. Uma delas, End Credits, mostra as manchetes "Dominando a arte de escrever", "Como enfrentar a rejeição" e "Onde diabo está Darin Morgan", uma referência ao irmão de Glen Morgan, que deixou a equipe de roteiristas de Arquivo X no início da quarta temporada.