4x11: "EL MUNDO GIRA" (O MUNDO GIRA)


Em um alojamento de trabalhadores imigrantes em San Joaquin, na Califórnia, Eládio Buente paquera a bonita Maria Dorantes enquanto seu irmão Soledad assiste. Flakita, uma vizinha curiosa, lamenta a antiga história: "Dois irmãos. Uma mulher. Problema". De repente ouve-se três estrondos vindos do céu, seguidos por um clarão luminoso, e uma chuva amarela e quente. Em seu resultado, Flakita descobre corpos mutilados de Marita e uma suas ovelhas, com suas faces parcialmente comidas. Eládio está desaparecido.

Mulder e Scully investigam as mortes. De acordo com Mulder, essas ocorrências estranhas precedidas da morte de Marita são um evento fortean, "um fenômeno meteorológico incomum e infreqüente... eventos fortean são relacionados com encontros de alienígenas, e mutilações de rebanho...". Scully recebe a informação de Mulder com seu ceticismo habitual. Ela não pode contar com informações do cadáver da ovelha, e o corpo de Maria está no necrotério.

De acordo com Flakita, Marita foi morta por um Chupacabra, uma criatura cinza das lendas mexicanas que tem um corpo pequeno, cabeça grande e olhos negros inchados. Scully nota a semelhança do Chupacabra com um alienígena. Soledad fica furioso com a história de Flakita. Ele acusa seu irmão, Eládio, de ter matado Maria por ciúmes. Este triângulo amoroso convence Scully de que Eládio é o assassino, até que ela examina os restos de Maria. É difícil visualizar o corpo de Maria no meio de uma grande quantidade de fungo verde crescente. Enquanto isso, Mulder localiza Eládio com a ajuda de Conrad Lozano, um cínico agente da Imigração. Eládio esta em custódia na INS, e os prisioneiros assustados acham que Eládio é um Chupacabra. Eládio nega que matou Maria e reivindica que algo desconhecido mutilou Maria durante a chuva amarela. Mulder acredita que Eládio não matou Maria, e Scully concorda. A autópsia de Scully do corpo revela que Maria se sucumbiu à uma infeção fungal volumosa - ninguém, ela diz, poderia fazer tal coisa deliberadamente. Eládio escapa da custódia da Imigração, deixando mais uma vítima morta por fungos.

Scully acredita que Eládio é responsável pelas mortes esparramando uma enzima que ele está levando de alguma maneira em seu corpo. Mulder imagina que o evento fortean pode ser causado de alguma coisa vinda do espaço... que significaria que a enzima é alienígena. Scully, à beira de perder a paciência com as teorias de Mulder, só deseja encontrar o homem que está espalhando isto.

Agora bastante doente, Eládio implora ajuda à sua prima Gabrielle. Ela concorda em lhe emprestar dinheiro relutantemente. Flakita, a fofoqueira do alojamento, adverte os agentes que Soledad está planejando matar Eládio. Eládio os ilude novamente, até que Lorenzo que prende Soledad.

Quando Eládio vê seu rosto pela primeira vez, ele não acredita esse horror. Ele já não parece mais humano, Eládio se transformou no Chupacabra. Gabrielle conta para Scully e Mulder que Eládio fugiu para o México. Mas Mulder percebe que é mentira. Seguindo pistas, ele alerta um grupo de controle de doenças para encontrá-lo no alojamento... onde tudo começou. Os dois irmãos vão se confrontar.

O que realmente aconteceu naquela noite? De acordo com Flakita, Lozano trouxe Soledad para o alojamento, e ordenou a Eládio que o encarasse como um homem. Mas Eládio não é mais humano... ele é o Chupacabra. Flakita diz que se escondeu enquanto o alienígena cinza - ela o chama de Chupacabra - descia o alojamento. Ele matou Lorenzo, e levou Soledad para o céu.

Gabrielle conta outra história: Lozano ordenou que Eládio enfrentasse Soledad. No horror de perceber que seu irmão era o Chupacabra, Soledad não atira. Ele e Lozano lutam pela arma, e Lozano leva um tiro. Os dois irmãos, ambos Chupacabras, fogem para o México.

A história que Mulder e Scully informam a Skinner não é muito esclarecedora. Tudo que eles sabem é que quando chegaram ao alojamento, os dois irmãos tinham desaparecido. Lozano está morto... caído com duas balas e o fungo. E os Chupacabras? Os irmãos Buente estão com o rosto totalmente desfigurados, e seguem caminho pela noite mexicana.

 

Bastidores

 

O Mundo Gira tem sua gênese vários anos atrás, durante uma época muito mais pobre da série, quando o editor de roteiros John Shiban, que ainda era aspirante a roteirista de TV, trabalhava como programador de computador para uma empresa da Comarca de Ventura, uma área semi-rural ao norte de Los Angeles.

- Eu costumava olhar pela janela e ver as longas filas de trabalhadores migrantes nos campos de plantação de morangos, ao longo da auto-estrada - diz Shiban. - É uma vergonha, mas todo mundo, inclusive eu mesmo, passava por eles na rodovia, a caminho do trabalho, e nem notava a presença deles. E Shiban acrescenta:

- Chris foi quem me chamou a atenção quando eu lhe apresentei a sinopse para o episódio. Ele disse: "Essas pessoas são invisíveis. Nós olhamos para elas mas não as vemos. Elas passam pelo nosso mundo, limpam nossas casas, cuidam dos nossos jardins e apanham as frutas que comemos, mas não pensamos nelas como gente igual a todos nós". No final das contas, este tornou-se um dos temas centrais do episódio.

Os trabalhadores migrantes foram o ingrediente final de um enredo sobre fungos contagiosos, que Shiban vinha tentando desenvolver durante meses.

- Minha primeira idéia era de que o fungo estava sendo espalhado por um garoto na escola. Depois eu sugeri que seria por um caminhoneiro que viaja longas distâncias.

Chris Carter gostou do aspecto trágico do enredo, lembrando as novelas mexicanas e, para evitar que o episódio se tornasse solene demais ou muito circunspecto, ele enfatizou esses elementos durante as reuniões sobre o roteiro.

Para a pesquisa do episódio, Shiban passou vários dias observando os imigrantes ilegais sendo fichados num escritório do Serviço de Imigração dos EUA em San Pedro, Califórnia.

- Sim, os detidos têm o costume de dar nomes falsos quando são presos - explica Shiban. - Mas geralmente usam nomes comuns, como Juan Gonzalez. Nós exageramos um pouco a este respeito.

Quanto ao Chupacabra, é uma lenda popular que ainda tem bastante penetração no mundo de idioma espanhol. E Shiban explica:

- Há um ano eu li um artigo no jornal Los Angeles Times, contando que um Chupacabra tinha sido avistado no norte da Califórnia. Alguém havia inclusive declarado que a criatura seqüestrara uma criança. Então eu comecei a pesquisar o assunto, e descobri que tem até uma música sobre o Chupacabra, que toca bastante nas estações de rádio que transmitem em espanhol.

Os fãs da música latina certamente devem ter notado a presença de Ruben Blades, o artista panamenho que foi um dos maiores astros da salsa no final dos anos 70 e início dos anos 80, e cujos discos ainda vendem bastante hoje em dia. Ativista político que chegou a concorrer à Presidência do Panamá depois da invasão americana do seu país em 1989, ele perseguia sua carreira política enquanto participava de filmes como The Milagro Beanfield War, The Two Jakes e Dead Man Out. Em determinado momento, ele ficou conhecendo um antigo fã chamado Chris Carter, que há tempos estava esperando por uma oportunidade de convidá-lo para trabalhar na série.

Segundo o diretor de elenco de Los Angeles, Rick Milliken, os outros atores convidados também foram encontrados sem qualquer dificuldade, principalmente porque há muito mais jovens e talentosos atores latinos em Los Angeles do que papéis sendo escritos para eles. Raymond Cruz, que fez o papel de Eladio Buente, tinha terminado uma bem-sucedida temporada como astro de Blade to the Heat, uma controvertida peça encenada no Mark Taper Forum. Simi, que fez o papel de Gabrielle Buente, trabalhou no filme da HBO, Grand Avenue. Na época, Raymond Cruz e Simi estavam morando juntos, coisa que os produtores descobriram apenas depois que a produção tinha começado. Eles tinham planos de casar-se em março de 1998.

Embora não apresente nenhum local particularmente exótico nem grandes efeitos especiais, este episódio teve uma série de problemas de produção. O acampamento dos trabalhadores migrantes foi construído a partir do nada, no meio de um grande terreno abandonada perto do aeroporto Boundary Bay, de Vancouver (essa área pouco atraente da cidade também serviu de cenário para o acidente de avião de Lapso de Tempo #1).

Infelizmente, uma estranha tempestade deixou cair vários centímetros de neve sobre o ensolarado "Vale de San Joaquin", na noite anterior ao dia previsto para as filmagens. Depois de vários telefonemas apavorados entre Shiban, o diretor estreante Tucker Gates e o produtor executivo Robert Goodwin, conseguiu-se um plano alternativo. Membros da equipe foram destacados para correr na frente de cada posição de câmera para derreter a neve com água quente e secadores de alta potência.

A tarefa mais complicada do departamento de arte foi descobrir um antigo luminoso giratório com a palavra "Gas" (gasolina) para instalar no posto que foi construído especialmente para as filmagens. A assistente de direção Vivian Nishi ficou encarregada da procura, e conseguiu finalmente localizar o luminoso em um ferro-velho local.

Antes de ser finalmente aprovada, a castanha de caju coberta de fungo, encontrada no supermercado, foi objeto de uma longa e acalorada discussão entre os produtores e o departamento de efeitos visuais.

O Mundo Gira foi uma espécie de marco na carreira de Mark Snow. Foi o único episódio - de que se lembra - que Chris Carter lhe pediu para jogar fora toda a trilha que havia composto e fazer tudo de novo.

- Bem, quando Chris viu o episódio (com música), ele disse: "Ouça, a coisa aqui é séria demais. Temos de colocar um certo sabor latino no episódio..." Então eu comecei do nada e compus toda a trilha sonora em um dia. Quando terminei, não havia nada que não tivesse sabor latino em todo o episódio. Coloquei até um pouco de violão flamenco e dei uma certa atmosfera de tango quando os trabalhadores migrantes saem correndo. E deu certo!

* Os efeitos especiais de maquiagem, para dar a aparência de fungo, usados em O Mundo Gira, foram realizados por Toby Lindala, mas o selo de aprovação foi colocado por Piper, a filha de Gillian Anderson. A mãe lembra que a menina ficou fascinada por muitos dos estranhos indivíduos que andaram pelo cenário durante aquela semana. Anderson continua: "Piper os chamava de 'homens repugnantes', aquelas pessoas cobertas de sangue ou fungo, que tinham um olho pendurado ou coisa assim. Toda vez que passamos por algum lugar escuro, ela fica agitada e pergunta se tem algum 'homem repugnante' ali. Pois bem, durante a filmagem deste episódio, um dos personagens, que aparecia na cena, na verdade era um manequim. Tinha sido maquiado e não parecia estar com muita saúde, de maneira que Piper foi lá e perguntou: 'Você está bem? Está bem?'. Claro que o manequim nada respondeu, e Piper começou a cantar para ele. Foi sensacional. Filmamos algumas cenas fabulosas dela nesse dia".