4x17: "TEMPUS FUGIT" (LAPSO DE TEMPO #1)


No Bar da Mulher Sem Cabeça, garçons cantando "Parabéns prá Você" se aproximam da mesa de Mulder e Scully. Scully está surpresa que seu parceiro tenha se lembrado da ocasião. Antes de continuar a comemoração, uma mulher chamada Sharon Graffia puxa conversa com os agentes, e se identifica como irmã de Max Fenig (que foi visto sendo abduzido no episódio "Fallen Angel - Caçada Sangrenta", da 1a. temporada). Fenig morreu em um acidente de avião em Upstate New York duas horas antes. Era um desejo de Fenig que os agentes fossem chamados se ele sofresse algum mal.

Os agentes se juntam então a uma equipe de investigação chamada "Go-Team", da Junta Nacional de Segurança nos Transportes. Mike Millar, o homem encarregado da operação, toca uma gravação em fita com a última mensagem mandada do avião do vôo 549 e o controle de tráfego aéreo em Albany. Durante a gravação, o piloto se refere a "algo interceptando". Mulder acredita que é uma indicação de que o avião foi derrubado em pleno ar. Mas seus comentários são encarados pelos homens do grupo com grande ceticismo.

Os agentes vão até a cena do acidente para investigar possíveis pistas. Mulder percebe que há uma discrepância de nove minutos entre a hora oficial do acidente e a hora indicada nos relógios de pulso dos passageiros. À distância, um investigador chamado Garrett lança um líquido sobre as pontas dos dedos de um cadávere o rosto já queimado. O líquido começa a ferver em bolhas e a derreter. Poucos momentos depois, outros membros da equipe Go-Team tiram um sobrevivente, Larold Rebhun, de dentro dos escombros. Scully conclui que ele foi exposto a extrema radiação. Mulder diz a Scully que ele acredita que Fenig tenha sido abduzido de dentro do avião ao ser puxado através da porta da saída de emergência. Entretanto, membros da equipe Go-Team acham o cadáver de Fenig longe dos escombros.

Os agentes entrevistam Louis Frish, que, junto com Armando Gonzales, estava trabalhando na torre de controle aéreo da Reserva da Força Aérea na noite do acidente. Louis diz que não houve contato pelo rádio entre a Força Aérea e o avião civil. Mais tarde, Louis acha o cadáver de Gonzales dentro da torre de controle. Vários homens do governo entram de sopetão na torre. Louis evita de ser capturado se escondendo no sótão. Depois, Sharon Graffia desaparece de um quarto de um motel. Mulder conclui que ela tenha sido abduzida por um OVNI.

Louis Frish diz a Mulder, Scully, e Millar que ele - não um controlador de tráfego aéreo em Albany - foi a última pessoa a se comunicar com o vôo 549. Louis explica que seu oficial comandante ordenou a ele (e a Gonzales) a mentir aos investigadores. Os homens viram um sinal não identificado no radar entrando no espaço aéreo do vôo 549. Momentos depois, houve uma explosão. Mulder especula que uma terceira e não identificada aeronave tenha atacado o jato civil - mas não sabe explicar a ausência de um segundo local do acidente. Enquanto os agentes levam Louis para longe da equipe Go-Team, dois automóveis começam a perseguí-los. Numa tentativa de livrar-se da perseguição, Mulder corre com o carro pelas pistas de pouso e decolagem do aeroporto. Quando uma aeronave pousa, passa bem perto do carro de Mulder. Os dois outros carros desistem da perseguição. Mais tarde, Mike Millar vê um OVNI pairando o céu sobre o local do acidente, e acha Sharon Graffia perto dali.

Scully e Louis esperam por proteção policial no Bar da Mulher Sem Cabeça. Garret entra empunhando uma arma. Scully puxa sua arma e um tiroteio começa. O agente Pendrell, que estava apenas freqüentando o bar, toma um tiro no tórax. Scully consegue atirar na perna de Garrett.

Depois de examinar um mapa, Mulder conclui que a segunda aeronave caiu no grande lago Sacandaga. Ele nada para baixo nas águas escuras, com o facho de sua lanterna apontando para o fundo do lago, onde ele encontra um monte de destroços impossíveis de se identificar - e um cadáver de um alien cinzento. De repente, um forte facho de luz emana da superfície. Mulder protege seus próprios olhos da intensa luz.

Continua no próximo episódio...

 

Bastidores

 

Em um determinado momento, nos últimos dois anos, Scott Bellis fez teste para um pequeno papel como agente do FBI em Arquivo X. Mas não foi aprovado.

- Chris olhou só uma vez para mim e disse que não - diz o ator de 31 anos de idade, que mora em Vancouver. - Ele disse que a lembrança do público sobre meu outro papel ainda era forte demais.

O "outro" papel a que ele se refere, naturalmente, era o de Max Fenig, o fanático obcecado por OVNIs, que ele havia desempenhado no primeiro ano de produção, no episódio Caçada Sangrenta (Fallen Angel).

Depois daquele episódio, Carter inscreveu o nome de Bellis para concorrer ao prêmio Emmy como melhor ator convidado. Nos anos que se seguiram, Bellis, que é casado e pai de duas meninas, e que se especializa em papéis ligeiramente excêntricos, encontrou-se diversas vezes com David Duchovny em sua academia de ginástica. Teve interessantes conversas com seu colega de profissão e disse que ouviu um boato de que Max Fenig voltaria a aparecer.

Sendo este o Arquivo X, o boato estava correto. Em novembro de 1996, os produtores informaram ao empresário de Bellis que queriam contratá-lo para aparecer de novo como Max Fenig, em um episódio de duas partes. Então, como também é costumeiro com esta série, nada mais disseram até fevereiro, quase uma semana antes que Lapso de Tempo #1 começasse a ser filmado.

O co-produtor Frank Spotnitz, que ajudou a escrever o episódio, explica:

- No começo do quarto ano de produção, Chris teve a idéia de trazer Max de volta, colocando-o no episódio do acidente de avião. Gostei da idéia, porque sabia que aumentaria o envolvimento emocional de Mulder no acidente caso tivesse algum conhecido dele a bordo. Mas não queria trazê-lo de volta de maneira a explorar demais o personagem, nem repetir alguma coisa que já tivéssemos feito antes.

Então eu pensei: "Seria uma decisão bastante corajosa trazê-lo de volta e matá-lo imediatamente em seguida!". Por isso é que, logo na abertura do episódio, ele morre.

Assim que se instalou no cenário (e se viu cercado de muitas das pessoas com as quais já havia trabalhado em Caçada Sangrenta), Bellis descobriu que nada tinha a mudar na sua concepção original de Max Fenig.

- Em Caçada Sangrenta minhas instruções eram de que eles queriam que o público gostasse do personagem - diz ele. - Eu o transformei em um neurótico, mas não de maneira agressiva, fazendo ele parecer perigoso e sombrio.

Para Lapso de Tempo #1 e Lapso de Tempo #2, acrescenta Bellis, ele tomou a decisão de que, devido à natureza irremediável da conspiração em que Max estava envolvido, deveria tornar o personagem ligeiramente mais sério. Passou a maior parte de seu tempo trabalhando com a segunda unidade de filmagem em seu videoteipe póstumo. Improvisou no ato as pequenas risadas e maneirismos vocais.

Para as cenas da abdução a bordo da aeronave, Bellis foi amarrado em um cinturão especial e puxado por uma grua, através da abertura, num modelo da cabine do avião.

- Depois - acrescenta ele - fizeram a mesma coisa com um dublê profissional. Só que o dublê foi puxado com muito mais força.

Pelo seu trabalho no episódio duplo, Bellis diz que recebeu excelentes informações para seu currículo, algumas ótimas cenas para o seu portfólio em vídeo, e algum reconhecimento nas ruas, além de uma ou outra carta dos fãs: a maior parte quer saber como Max foi levado ao esquecimento.

O fato de ser chamado para repetir um papel em particular não o perturba. Ele diz:

- Geralmente faço papéis onde não está muito claro se os produtores sabem o que estão procurando. - Ele diz que uma vez fez o papel de um rapaz mudo, que é testemunha de um assassinato, em um episódio de MacGyver. E acrescenta: - Eles me chamam para preencher os vazios.

Quanto ao papel de Max Fenig, Bellis diz que ainda não o apagou completamente dos seus planos futuros.

- Alguém me disse uma vez que toda a cena a bordo da aeronave era só a teoria de Mulder quanto ao que havia acontecido - diz o ator. - Portanto, nunca sabemos o que ainda poderá acontecer. Ou será que sabemos?

* A mulher de Scott Bellis, a atriz Sandra Ferens, fez o papel de uma vítima de assassinato no primeiro ano de produção da série Millennium.

* Por seu trabalho em Lapso de Tempo #1, doze membros da equipe de pós-produção de Arquivo X - Thierry J. Couturier, Stuart Calderon, Ira Leslie, Maciek Malish, Debby Ruby-Winsburg, Chris Fradkin, Jay Levine, Chris Reeves, Susan Welsh, Jeff Charbonneau, Gary Marullo e Mike Salvetta - ganharam um prêmio Emmy pela melhor edição sonora em uma série.

* O personagem Larold Rebhun, único sobrevivente do acidente, que estava sentado ao lado de Max e testemunhou sua abdução, recebeu este nome em homenagem ao mestre de mixagem sonora de Arquivo X, Larold Rebhun.