4x18: "MAX" (LAPSO DE TEMPO #2)


Como foi visto no episódio anterior, Mulder, em sua roupa de mergulho, investiga (o que parece ser) os destroços de um OVNU no fundo das águas escuras do grande lago Sacandaga em Upstate New York. Uma forte luz penetra na escuridão, iluminando o agente. A origem da luz acaba sendo uma equipe de homens-rã, acompanhados por um veículo anfíbio equipado com grandes holofotes. Mulder tenta escapar, mas é levado sob prisão militar.

Ferido, Garrett escapa do Bar da Mulher Sem Cabeça. Scully imediatamente dá atenção ao agente Pendrell, que foi atingido no tiroteio. Paramédicos são chamados e Pendrell é transportado para um hospital próximo dali. Skinner diz a Scully que Louis Frish está sendo levado sob prisão militar (suspeito de assassinato e por falso testemunho a uma investigação federal).

Mulder é liberado da prisão. A Força Aérea afirma que o vôo 549 colidiu com um caça militar quando Frish e seu co-controlador da torre cometeram um erro de julgamento. Baseado nos destroços que viu no fundo do lago Sacandaga, Mulder acredita que o vôo 549 colidiu com um OVNI (depois de ter sido atingido por um caça militar). Scully diz a Mulder que o agente Pendrell não suportou os ferimentos e morreu. Mulder oferece suas condolências.

Registros revelam que Sharon Graffia não é irmã de Max Fenig, mas uma engenheira aeronáutica desempregada que passou um tempo em instituições para doentes mentais (onde ela encontrou Fenig). Os agentes investigam a casa móvel de Fenig. Eles descobrem uma fita de vídeo na qual Fenig afirma que os militares aproveitaram tecnologia alienígena para uso em suas próprias aplicações tecnológicas. Ele diz ter provas inegáveis e irrefutáveis sobre o assunto.

Mulder descreve a Mike Millar uma seqüência de eventos que ele acredita terem provocado a queda do vôo 549. De acordo com Mulder, Max subiu à bordo carregando provas físicas da existência de vida extraterrestre na Terra. Alguém embarcou com ele no avião, com a intenção de obter as provas dele a qualquer custo. Mas antes que o assassino pudesse concluir seu plano, o vôo 549 foi interceptado por um OVNI. Quando o OVNI começou a abduzir Fenig, os controladores de vôo mandaram um caça militar até o espaço aéreo do vôo 549 com a missão de destruir a aeronave alienígena. Quando a Força Aérea abateu o OVNI, a aeronave, que estava sob um tipo de "raio de força alienígena", ficou descontrolada e caiu.

O gerente do estacionamento de trailers onde Fenig morava dá a Mulder a correspondência não entregue de Fenig. Um envelope contém um canhoto de bagagem, guardada em algum lugar. Enquanto isso, Scully se encontra com Sharon Graffia num centro de saúde mental. Ela admite ter roubado um objeto do seu empregador depois que Max insistiu que podia provar a existência de vida alienígena. O objeto foi dividido em três partes. Max e Sharon pegaram um pedaço cada um, mas ambos foram confiscados depois.

Mulder acha o terceiro pedaço dentro da bagagem de Fenig no aeroporto de Syracuse. Ele embarca em um vôo para Washington, mas é seguido por Garrett (o assassino do agente Pendrell). Mulder engana Garrett e o prende no banheiro do avião. Ele liga para Scully e a instrui para encontrá-lo no aeroporto de Dulles. De repente, o relógio de pulso de Mulder pára de funcionar. Um OVNI intercepta o avião e, durante o acontecimento, Garrett escapa do banheiro. Ele pega uma sacola contendo o terceiro segmento alienígena roubado. Quando uma forte luz vinda do OVNI envolve o avião, Mulder grita para que Garrett largue a sacola. Mas Garrett recusa. Quando o avião pousa no aeroporto de Dulles, Garrett não está a bordo. Mulder diz a Skinner que Garrett "pegou um vôo de conexão".

 

Bastidores

 

Embora talvez não sejam dois dos episódios mais dramática e emocionalmente atraentes da temporada, Lapso de Tempo #1 e Lapso de Tempo #2 nos deixam ver o pessoal que trabalha nos bastidores de Arquivo X em sua melhor forma criativa.

- Estes dois episódios foram gigantescos, e talvez tenhamos gasto neles mais dinheiro do que em quaisquer outros - diz Gillian Anderson. David Duchovny fala:

- Foi divertido assistir aos dois episódios. Eles estão cheios de cenas de grande produção. É como Las Vegas: todas as dançarinas estão no palco, e toda a parafernália do cenário. Aí se faz uma boa iluminação e o espetáculo é dos melhores.

Os preparativos prévios para a produção dos dois episódios começaram já durante o terceiro ano de produção, quando Chris Carter decidiu que um futuro episódio deveria centralizar-se ao redor de um Boeing 737 que balança violentamente no ar, acabando por cair.

- Além disso - diz Frank Spotnitz - não sabíamos como a história poderia desenvolver-se. No entanto, este não era considerado um grande problema. Mas tornou-se um problema. Não havia nenhuma cabine de avião que os produtores pudessem alugar para transporte, fosse em Los Angeles ou em qualquer parte do Canadá, que permitisse simular os efeitos de uma violenta descompressão, combinados com aberturas nas laterais que permitissem a colocação das câmeras e outros equipamentos de filmagem.

Projetar e construir a cabine de passageiros de um 737 em escala natural, que pudesse ser violentamente sacudida e desse acesso ao equipamento de filmagem, foi um projeto conjunto dos departamentos de arte, de cenografia e de efeitos especiais, que começou a ser imediatamente desenvolvido. O resultado final foi o modelo de uma cabine em tamanho natural, colocada em cima de uma unidade hidráulica de 6 metros de altura, que pode ser aberta a cada 6 metros no seu comprimento e completamente fechada para filmagem a partir de qualquer ponto e de qualquer ângulo.

- Puxa, aquele avião foi um trabalho bastante difícil de realizar - lembra Kim Manners, diretor de Lapso de Tempo #2. - Foi difícil porque a cabine pode movimentar-se mais de um metro em qualquer direção, e inclinada até 22 graus de um lado para o outro. Combinando esses elementos, a impressão é que o avião está balançando mesmo. É um sacolejo bastante violento. Nunca trabalhei em uma situação na qual tivesse de fazer meu operador de câmera usar capacete de proteção. Tivemos de colocar oitenta figurantes dentro daquela cabine. Foram eles que fizeram o show. Lisa Ratke, encarregada de contratar os figurantes, realmente realizou um trabalho espetacular naquelas cenas. Trouxe para mim as pessoas mais talentosas de que dispunha. Porque imagine ter de dizer àquelas pessoas: "Muito bem, agora ouçam o que vamos fazer. Vamos colocá-los sentados nessa cabine de avião durante três dias e vamos sacudí-los o tempo todo, com violência...". Além dos adultos, tínhamos crianças naquelas cenas. Havia crianças de 4 anos de idade ali. E ninguém nunca reclamou de nada. Ninguém se sentiu mal. Alguns tiveram princípio de náuseas, mas nada além disso. Aí, Chris disse: "Temos de colocar alguns bebês também. É preciso colocar bebês a bordo". Eu respondi que seria impossível trabalhar com bebês dentro daquela coisa. E ele concordou comigo. Acabamos usando bonecas, ao invés de bebês de verdade.

Enquanto tudo isso estava acontecendo, outro tipo de náusea começava a se desenvolver. Um verdadeiro investigador de acidentes aéreos foi contratado como consultor técnico para os episódios. Com a queda do vôo 800 da TWA ainda muito clara na memória das pessoas, um terreno baldio perto do aeroporto Boundary Bay, de Vancouver, foi preparado com destroços de aviões acidentados, queimados com maçaricos e espalhados no meio de peças de bagagem, pequenas bandeiras vermelhas, "cadáveres" inteiros e pedaços de gente.

A maior peça dos destroços era a parte do leme de um jato do tipo Boeing 707, comprada de um ferro-velho da Carolina do Norte. Depois que Val Arntzen conseguiu localizar a peça, ela foi comprada e colocada sobre um caminhão, sendo transportada através do país inteiro em uma viagem ininterrupta (que demorou cinco dias e cinco noites) e colocada no terreno baldio para apenas alguns segundos de filmagem, que apareceriam na montagem final dos episódios.

O cenógrafo Frank Haddad supervisionou a colocação de dezenas de pedaços das roupas das vítimas, além de uma mão arrancada, que foi filmada mas acabou não aparecendo em Lapso de Tempo #1 por ordem do Departamento de Padrões e Práticas da Fox. Peças de roupas e outros objetos foram colocados até sobre algumas árvores, especialmente plantadas no terreno baldio para a filmagem dos episódios.

- Acho que o local do acidente do avião foi a única locação que já utilizamos que deixou perturbados o elenco e a equipe técnica - diz o diretor de arte Gary Allen.

Talvez o trabalho mais difícil de realizar tenha sido o do mixador de som Michael Williams, que teve de enfrentar a tarefa quase impossível de gravar as vozes de Duchovny e Tom O'Brien (Louis Frish) em uma cena noturna perfeitamente fácil de realizar, se eles não estivessem ao lado do avião Cessna, que os esperava com o motor funcionando.

- Foi uma noite de horrores - diz Williams, acrescentando que essa cena foi a mais difícil que já tinha realizado em quatro anos de série.

Em comparação, as cenas submarinas, que foram filmadas - como sempre - no tanque interno de uma fábrica de equipamento de mergulho de Vancouver chamada CanDive, foram feitas sem qualquer dificuldade. O OVNI que acende suas fortíssimas luzes sobre o investigador de acidentes aéreos Mike Millar (o ex-astro de Hill Street Blues, Joe Spano) foi criado na fase de pós-produção, pela supervisora de efeitos visuais Laurie Kallsen-George. A luz brilhante, que se acende sobre Mulder perto dos destroços encontrados sob a água, na verdade foi um holofote tomado por empréstimo de um helicóptero de resgate da guarda-costeira canadense.

A luz veio completa: com dois tripulantes de um helicóptero da guarda-costeira canadense, que operaram a aeronave durante as filmagens da cena.

- Eles eram grandes fãs da série - diz o gerente de produção George Chapman. - Acho que, pelo menos na cabeça deles, o trabalho que fizeram foi uma grande aventura.

* A canção que ouvimos no trailer de Max é "Unmarked Helicopters", do grupo Soul Coughing, que aparece no CD especial de canções baseadas no Arquivo X, chamado Songs in the Key of X.