4x19: "SYNCHRONY" (SINCRONIA)


Jason Nichols e Lucas Menand são pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e conversam enquanto caminham por uma rua da cidade. Eles são interrompidos por um velho que adverte Menand que ele será atropelado por um ônibus exatamente às 23:46h naquela noite. Menand fala com um policial da segurança do campus e diz que um velho o está incomodando. O policial coloca o velho no banco de trás de sua viatura. Alguns momentos depois, Menand é atropelado por um ônibus... exatamente às 23:46h. Mulder e Scully revisam os fatos do caso. Nichols está sob custódia pois o motorista do ônibus disse a polícia que ele empurrou Menand para frente de seu ônibus. Mas Nichols conta às autoridades que estava tentando salvar Menand, pois um velho não identificado tinha previsto a morte de seu colega.

O policial da segurança que prendeu o velho é encontrado congelado. Scully conclui que o policial foi exposto de alguma forma por algum tipo de refrigeramento químico - como o tempo está quente, não há como saber a temperatura frígida do cadáver. Mulder entrevista Nichols na delegacia de polícia. Nichols explica que ele e Menand estavam discutindo porque Menand ameaçou levar a público uma acusação de que ele falsificou os documentos da pesquisa.

Pouco tempo depois, o velho mata o dr. Yonechi, um pesquisador japonês. Mulder e Scully examinam o corpo congelado de Yonechi. Testes de laboratório revelam que foi injetada no doutor uma combinação química não identificável. Os agentes vão investigar a namorada de Nichols, Lisa Ianelli, que também participava da pesquisa. Ela reconhece a combinação química como sendo um agente do congelamento que Nichols vinha criando durante alguns anos. Lisa fala para os agentes que se Yonechi foi injetado pela combinação química, ele não pode estar morto. Com a ajuda de Lisa, Scully e um grupo de médicos ressuscitam Yonechi. Mas a temperatura do corpo começa a aumentar de repente e rapidamente, até que ele estoura em chamas. Lisa percebe que errou quando recomendou que os médicos removessem o corpo de Yonechi de uma banheira com fluído amarelado.

Lisa confessa que falsificou os documentos para obter a pesquisa (Nichols está preso porque ele está protegendo ela). A polícia recebe uma informação de que o velho está morando em um hotel perto dali. Dentro do quarto do velho, os agentes descobrem uma fotografia de Nichols, Yonechi e Lisa no laboratório de criogenia. Mulder acha que a fotografia foi tirada cinco anos no futuro no dia em que os pesquisadores comemoravam a realização do projeto do composto químico autocongelante. O velho está tentando alterar aquele futuro: quando ele não salvou Menand de ser morto pelo ônibus, ele matou Yonechi. Mulder também acha que o velho é nada mais que Jason Nichols, mas só que o do futuro.

Lisa localiza o velho e o confronta. O velho injeta a substância química nela. Mas Scully a ressuscita recordando as palavras da moça, e imediatamente ela volta ao seu corpo. Nichols encontra o velho no laboratório criogênico - ele está apagando os arquivos do computador de Nichols. Nichols se lança ao velho e o estrangula. Mulder, impossibilitado de abrir a porta do laboratório, grita para Nichols. Mulder lhe fala que Lisa está viva. O velho diz a Nichols que "isto está melhor que nós nunca fomos". O velho agarra Nichols, e os dois estouram em chamas. O fogo consome ambos. Depois Lisa resolve trabalhar no laboratório criogênico e tentar reconstruir o composto químico.

 

Bastidores

 

Um conselho bem-humorado de Howard Gordon aos roteiristas do mundo inteiro: evitem a todo custo os temas paralelos dos descontentes veteranos da Guerra do Vietnã e das viagens através do tempo.

- São dois enormes tabus - diz Gordon no meio de uma gargalhada, lembrando dos problemas envolvidos na produção do seu penúltimo roteiro para Arquivo X. Gordon ajudou a escrever o roteiro para este episódio, imediatamente depois de terminar o seu trabalho em Desprezado, "que me causou muitas dores de cabeça, como sempre".

Chris Carter o colocou para trabalhar junto com David Greenwalt, um novo co-produtor executivo (programas anteriores: Proffit e Buffy, A Caça-Vampiros), que passou vários meses em Arquivo X a partir da metade da quarta temporada.

- David mora em Santa Barbara e eu moro em Los Angeles, de maneira que, durante um fim de semana chuvoso, nós nos reunimos na metade do caminho, em Simi Valley, para definirmos uma idéia para um roteiro que deve ser apresentado em duas ou três semanas depois. Bem, nós fomos a diversas livrarias e nos sentamos em quatro diferentes cafés. No final das contas eu fiquei conhecendo David bastante bem, e ele é um grande cara. Mas, fora isso, a única coisa que conseguimos foi descobrir como é difícil ter uma boa idéia para um episódio de Arquivo X.

O final de semana molhado dos dois acabou transformando-se em quatro dias de chuva. Depois de um longo desvio, em que trabalharam em uma idéia relacionada com um prisioneiro que consegue escapar da penitenciária trocando de corpo com um homem livre ("parecia demais com outros episódios que eu já tinha feito", diz Gordon), os dois concordaram em terminar a reunião e se encontrar na manhã seguinte, cada um deles trazendo três idéias novas para a reunião.

- Na verdade eu não tinha coisa alguma que pudesse colocar sobre a mesa - admite Gordon.

Mas, no dia seguinte, ele casualmente encontrou um artigo interessante na revista Scientific American. Publicado na edição de março de 1994, o artigo chama-se "A Física Quântica Através das Viagens Através do Tempo". De autoria de dois professores de Oxford, o artigo explica em estonteantes detalhes que a teoria moderna abre espaço para a existência de "curvas fechadas no tempo", verdadeiros atalhos na continuidade entre tempo e espaço que, se é que realmente existem, poderiam permitir algum dia ao homem saltar para frente e para trás entre o presente, o futuro e o passado. Os autores dizem que as teorias físicas antiquadas proíbem aos indivíduos viajar através do tempo para o passado e alterar a História. Mas as leis da física quântica não. Gordon explica que ele e seu colega compreendiam suficientemente o assunto para começarem a produzir o roteiro.

- Eu me lembrei da história a respeito de J. Robert Oppenheimer, que dizia que, depois de ter chefiado o projeto Manhattan, ele fora falar com o presidente Harry Truman para reclamar do lançamento sobre o Japão da bomba atômica, que ele tinha inventado com sua equipe. Bem, e se Oppenheimer pudesse voltar ao passado e "desinventar" a bomba? Isso nos levou a outra pergunta: o que aconteceria se soubéssemos tudo sobre nosso futuro? A própria vida tem a ver com o desconhecido e com a descoberta do que está adiante de nós. Mas, se todo o mundo, ou talvez algumas pessoas, soubessem o que vai acontecer, isso criaria um novo conjunto de horrores, e teria de ser impedido. Infelizmente, nem Gordon nem Greenwalt sabia como saltar para o futuro e dar uma olhada no roteiro terminado. Demorou uma semana de quinze horas de trabalho por dia, além de importantes contribuições de Shiban, Spotnitz e Horton, para que a confusa história tomasse forma. Gordon passou em Vancouver todo o final de semana antes de serem iniciadas as filmagens, freneticamente reescrevendo tudo e tirando do episódio dois importantes personagens, um dos quais era um cientista entrevado numa cadeira de rodas, como Stephen Hawking.

- Aqueles personagens eram inúteis, e sua remoção melhorou muito a história. Mas confesso que no domingo, bem tarde da noite, um dia e meio antes de serem iniciadas as filmagens marcadas para terça-feira de manhã, pensei seriamente em ligar para Bob Goodwin e dizer: "É isso aí. Eu estou acabado. Eu me entrego". Depois disso, tudo ficou muito mais fácil. O diretor Jim Charleston lembra com alegria que correu magnificamente bem a cena em que o dr. Yonechi irrompe em chamas (na verdade era o coordenador de dublês Tony Morelli, usando uma roupa de asbestos).

- Desde o instante em que seu corpo foi incendiado até o momento em que os rapazes entraram com os extintores de incêndio passaram-se exatamente doze segundos. Nem mais, nem menos.

David Duchovny diz:

- Em me lembro que filmaram dezenas e dezenas de cenas inventadas à última hora, porque ninguém conseguia saber se o público entenderia o que estava acontecendo. Então eles escreviam cenas de uma única página, ali mesmo no estúdio, em que alguém aparece e tenta explicar alguma coisa. Gordon conclui:

- Acho que o episódio acabou ficando bastante bom, no final. Mas, quando tudo acabou, jurei a mim mesmo que jamais, enquanto viver, voltarei a tocar no assunto de viagens através do tempo.

* Hiro Kanagawa apareceu anteriormente em Firewalker, da 2a. temporada, fazendo o papel de um dos cientistas mortos pelos misteriosos esporos vulcânicos. Ele também participou da série Millennium.