4x22: "ELEGY" (ELEGIA)


Angie Pinteiro é dono de um salão de boliche. Um de seus empregados, chamado Harold Spuller, possui distúrbios mentais, e de noite ele vai para casa. Depois Angie visualiza uma menina loira ferida na pista de boliche. A menina tenta falar, mas nenhuma palavra sai de sua boca. Angie nota um policial no estacionamento e corre para pedir ajuda. Ele percebe uma multidão reunida ao redor do corpo da mesma menina que ele viu na pista de boliche.

Angie conta sua estranha história para Mulder e Scully. Mulder suspeita de que Angie tenha visto o fantasma da menina morta, um espírito que estava tentando se comunicar com Angie por razões desconhecidas. Três aparições semelhantes e três assassinatos semelhantes foram relatados na área em muitas semanas. Os agentes descobrem a frase “ela é eu” escrita na pista de boliche onde Angie viu o espírito. Mas seu significado continua um mistério.

O detetive Hudak conta para Mulder e Scully que um informante anônimo telefonou para 911 com uma mensagem relativa a Penny Timmons, uma das vítimas do assassino. O informante disse que as últimas palavras de Penny Timmons eram “ela é eu”. Mas Hudak nota que as laringes das vítimas foram cortadas, sendo assim possível dizer estas palavras agonizantes. |

Os agentes descobrem que a ligação para o 911 foi feita de um centro psiquiátrico. Mulder nota que um dos pacientes, Harold Spuller, estava evitando seu olhar. Através de fotografias das vítimas do assassino, Scully conclui que Spuller tem o perfil do assassino: uma pessoa compulsiva consumida.

Scully vai ao banheiro pois seu nariz está sangrando. Lá ela encontra o espírito de outra menina loira. Momentos depois, Mulder diz a Scully que outra vítima foi achada.

Mulder descobre Harold na entrada dos pinos da pista de boliche, atrás de uma espécie de sala de máquinas. Nessa sala as paredes estão cobertas por folhas de pontuação incluindo as das vítimas. Mulder percebe que Harold conhecia todas as mulheres assassinadas na pista de boliche. De repente, Harold tem um estranho ataque. Do seu ponto de vista, ele vê o fantasma de Angie se levantando atrás de Mulder. Ele corre para fora do quarto e vai para a pista de boliche onde encontra Angie morto, vítima de um ataque no coração. Mulder conta para Scully que todas as pessoas que vêem as aparições estão a ponto de morrer e implica que Harold está próximo. Scully que também viu o fantasma fica surpreendida.

Harold é levado para o centro psiquiátrico. Lá ele é atormentado pela enfermeira Innes, que ridiculariza seu intelecto e seu físico. Depois Mulder acha Innes no chão, inconsciente. Innes explica que Harold ficou frenético e a atacou. Um dos outros pacientes, Chuck Forsch, conta para Scully que Innes estava tentando envenenar Harold. Scully lentamente percebe que Innes, não Harold, é o assassino. Quando Innes ataca Scully com um bisturi, Scully puxa sua arma, e golpeia o ombro de Innes. Depois, Scully conta para Mulder que Innes dava remédios envenenados para Harold, provocando comportamento violento. Ela teoriza que Innes estava tentando destruir o amor que Harold sentia por mulheres jovens. Depois, o corpo de Harold é encontrado morto em um beco perto dali, aparentemente por problemas respiratórios.

Scully admite a Mulder que viu a quarta vítima logo após ela ser assassinada. Depois, Scully vê o espírito de Harold sentado no banco de trás de seu carro.

 

Bastidores

 

"Salão de boliche assombrado".

Isso era tudo que estava escrito no cartão que ficou pendurado no quadro de avisos do roteirista John Shiban durante todo um ano.

- De algum modo isso me parecia interessante - diz Shiban, referindo-se à enigmática idéia para o roteiro. E a idéia acabou transformando-se em roteiro para este episódio depois da filmagem de Lembranças Finais, o episódio em que fica estabelecida a batalha de Scully contra o câncer.

- Minha mulher me fez lembrar de uma coisa que tinha acontecido conosco dez anos atrás - diz Shiban. - O pai dela, Jerry Tanner, estava morrendo de câncer no pulmão. Janet e eu ainda não estávamos casados, mas já saíamos juntos, e fomos visitá-lo no hospital. Foi perto do fim, e ele estava muito doente. Jerry ficava olhando para o outro lado, e em um determinado momento olhou para Janet e perguntou: "Quantas pessoas estão nesse quarto?". Minha mulher respondeu que só estávamos eu e ela. Seu pai olhou para o outro lado do quarto e voltou-se para nós, finalmente dizendo: "Está bem". Esse incidente e a idéia de que uma pessoa moribunda talvez possa, de algum modo, ver imagens do outro mundo ficaram gravados na minha cabeça. Pouco antes das férias de Natal, quando Chris me perguntou o que eu pretendia fazer em seguida, disse-lhe que tinha essa idéia a respeito de uma aparição, que só as pessoas que estão perto da morte conseguem ver. Quando ouviu isso, ele disse: "Sim. É uma idéia perfeita para Scully".

O óbvio fascínio do episódio com o mundo retro-técnico do boliche e das máquinas automáticas de montagem das garrafas pode ser encontrado em John R. Shiban, pai do roteirista. O sr. Shiban tinha trabalhado em um salão de boliche na juventude e contara ao filho várias histórias relativas à sua experiência. O salão de boliche que vimos no episódio é o Thunderbird Bowling Center, um respeitável local de diversões no norte de Vancouver, descoberto pela gerente de locações Louisa Gradnitzer, e alugado pelos vários dias da filmagem. A equipe técnica e o elenco receberam instruções bastante precisas no sentido de preservarem todas as superfícies de jogo. Aqueles que chegavam tarde demais para calçar um par de sapatos especiais para boliche foram obrigados a usar botinas de papel nos pés.

O outro elemento de importância no enredo, o personagem mentalmente retardado de Harold Spüller, teve como inspiração o amor de Shiban pelo filme de longa-metragem feito em 1975, chamado Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo's Nest). Na verdade, Charles Forsch, amigo e colega de quarto de Harold, é interpretado por Sydney Lassick, ator que fazia o papel de Cheswick, o "desafiado" companheiro de Jack Nicholson no filme, há tantos anos. Por maior que possa parecer a coincidência, Charles Forsch também é o nome do assistente de Chris Carter em Los Angeles.

Steven M. Porter, o experimentado (e não totalmente retardado) ator, que fez o papel de Harold Spüller, foi convidado para realizar um teste para Arquivo X pelo seu velho colega e amigo de Los Angeles Frank Spotnitz. Como membro do conhecido grupo teatral Actor's Gang, ele havia desempenhado um papel bastante parecido com o de Spüller em uma das produções do grupo, uma peça chamada Asylum.

Porter lembra-se de ter dado o máximo de si quando fez o teste para o papel na frente de Chris Carter.

- Quando saí da sala, eu pensei comigo mesmo: "Ou causei uma excelente impressão, ou fiz papel de bobo lá dentro".

Muitos dos gestos e tiques que Porter usou neste episódio foram resultado da pesquisa que realizou em vários hospitais, durante a preparação para Asylum. Na verdade, ele diz que o movimento que faz balançando a mão tornou-se tão importante no desempenho do papel de Harold, que ele repetia isso o tempo todo ao fazer a dublagem dos diálogos no estúdio de gravação, depois de encerrada a filmagem.

Depois de tudo acabado, Gillian Anderson declarou que Elegia foi um episódio particularmente difícil, pois exigiu muito de suas emoções.

- Houve alguns excelentes e bastante reais intercâmbios emocionais entre Mulder e Scully - diz Anderson.

Para David Duchovny, Elegia deixou saudade por um motivo diferente.

- Eu percebi o quanto havia envelhecido - diz ele com uma expressão séria. - No dia seguinte à filmagem das cenas do boliche, senti dores pelo corpo todo. E, quando a gente sente dores depois de jogar boliche, é melhor pensar bem na vida e ver para onde está indo.

- Deixa isso prá lá - diz Jim Charleston, o diretor deste episódio, que disputou várias partidas "amistosas" com Duchovny durante os intervalos nas filmagens. - E digam a ele que ainda me deve 80 dólares - arremata Charleston por telefone, de uma locação no Estado de Utah, onde estava fazendo um filme de televisão para a Fox, sobre formigas assassinas.

- São só 80 dólares canadenses - responde Duchovny. - Estou devendo muito menos do que ele pensa.

* Esta foi a segunda vez que Scully apareceu conversando com uma psicoterapeuta sobre o seu trabalho. A primeira vez foi com a mesma psicóloga em Irresistível. Christine Willes, que fez o papel da psicóloga Karen Kosseff, também apareceu em Os Calusari.

* Mulder pergunta a Harold Spüller sobre uma das vítimas, uma mulher chamada "Risa Shapiro". A verdadeira Risa Shapiro é empresária de David Duchovny.

* A advogada de Harold é interpretada por Lorena Gale, que fez o papel de uma enfermeira no episódio Por Um Fio, e de médica legista em Sombras.