7x05: "MILLENNIUM" (MILÊNIO)


A data é 21 de dezembro. Estamos num funeral em Tallahassee, Florida. O sr. Mark Johnson chega após a saída dos amigos e entes queridos que estavam velando o corpo de um agente do FBI que havia cometido suicídio. Johnson abre o caixão, troca de roupas com o defunto e coloca um telefone celular na mão do morto. No dia 29 de dezembro, Johnson estaciona o seu veículo no cemitério esperando que o seu telefone toque. Quando isso acontece, ele sai do carro e apanha uma pá.


No dia 30 de dezembro, Scully chega ao cemitério e após conversar com o coveiro – que pede silêncio sobre o caso –, vai até Mulder, que está dentro de uma cova aberta. Mulder diz a Scully que algo está errado em tudo aquilo, pois, além do buraco ter sido aberto de uma maneira irregular existem evidências de que o caixão recebeu impulso do lado de dentro ao ser aberto. A investigação é sobre um agente do FBI que cometeu suicídio. Os agentes conseguem as impressões digitais em diversas partes do caixão e na lápide. Devido à chuva da noite passada, outras evidências foram eliminadas, mas a opinião de Scully é que o corpo foi roubado e o criminoso montou uma cena de crime com falsas pistas.


Ao redor da sepultura há um círculo de sangue. Em uma reunião no escritório de Skinner com superiores do FBI, Mulder diz que todas as evidências levam o caso a ser classificado como sendo um caso de necromancia e uma tentativa de ressuscitar um morto através de rituais místicos. A vítima em questão é Raymond Crouch, que cometeu suicídio e, ao que tudo indicava, não tinha nenhum inimigo ou motivo para morrer. Mulder mostra uma das fotos tiradas na cena do crime onde o túmulo está rodeado com manchas de sangue e explica que existem algumas teorias místicas que afirmam que o sangue compõe um ciclo de atração do espírito da morte fazendo com que o círculo concentre poderes de invocação.


Após a reunião, Skinner levanta a possibilidade do círculo de sangue não ser apenas um círculo e sim uma simbologia. Ele mostra uma foto de um ‘Ouroboro’ representado por uma cobra ou serpente que morde o próprio rabo, símbolo que representa o ciclo sem fim da vida, no começo e no fim de tudo, do tempo e da continuidade da vida e da autofecundação. Skinner diz que o caso pode estar relacionado com o ‘Grupo Millennium’, formado por agentes do FBI que trabalhavam em sigilo e que além de se basearem nas profecias do final do milênio também prestavam serviços de consultoria a departamentos de policia e agências do governo. Mulder levanta a possibilidade de Crouch ter sido um membro. Skinner diz que esta será a tarefa deles, já que o grupo se desmanchou sem explicações. Skinner revela aos agentes que foram relatados outros três casos como o de Crouch, onde o túmulo de outros três agentes do FBI também foram violados e deixados com o mesmo círculo de sangue em volta. Mulder começa a ligar os fatos e diz saber por onde começar as investigações.


Os agentes vão para Hartwell Woodbridge, Virginia. Antes de entrarem no Hospital Psiquiátrico, Mulder diz que a pessoa que eles verão foi um excelente agente da Divisão de Crimes Violentos onde ele trabalhava antes dos Arquivos X e que só o conhece por reputação. Ele estaria internado por vontade própria por estar se sentindo perturbado. Ao entrar no quarto, os agentes encontram Frank Black assistindo uma partida de Futebol Americano. Eles o interrompem e se apresentam como sendo agentes do FBI e mostram algumas fotos do caso; Mulder pergunta se ele teria alguma informação que poderia relacionar os crimes ao extinto ‘Grupo Millennium’. Frank continua a assistir o jogo. Scully faz sua tentativa e pergunta se estes quatro agentes teriam alguma relação com o grupo. Frank responde friamente que sim. Ele aparenta não estar querendo cooperar com o caso e Mulder tenta pressioná-lo dizendo que o fim do milênio está a dois dias e que já pode ser tarde. É mais uma tentativa inútil, pois Frank continua a assistir o jogo. Antes dos agentes irem embora, Frank resolve dar uma pequena informação para Mulder, mas pede que o deixem em paz.


Agora estamos no interior de Maryland. Johnson nota que o pneu do carro furou e pára pra trocar. Um policial suspeita da atitude dele, resolve parar e averiguar, e quando começa a conversar com Johnson, sente um cheiro forte exalando de dentro do automóvel, onde também há várias moscas. Quando o policial se estica para olhar, Johnson tira um punhado de sal e joga em volta formando um círculo. O policial resolve abrir o porta-malas e o corpo toma vida como um zumbi e o ataca.


Já é 31 de dezembro, e estamos na estrada onde o policial morreu. São 7:32 da manhã e os agentes estão no local. Mulder conclui que o responsável pela necromancia esteve no local. Há um circulo de sal no chão e ele acha que faz parte da mesma magia usada anteriormente, pois o circulo é grande o bastante para que uma pessoa fique em pé dentro. Os agentes são alertados pelos peritos de que o corpo do policial foi encontrado no matagal, e a boca dele está presa com grampos. Perto do corpo há uma pequena nota. Mulder identifica o texto como sendo uma passagem da Bíblia no Livro das Revelações (Cap. I, Ver. XVIII) , “Eu sou ele, estive morto e agora estou novamente vivo.” De volta ao hospital onde Frank está internado, o agente Mulder tenta conseguir a colaboração dele e coloca sobre a mesa o papel com a passagem da Bíblia.


Frank continua resistindo em colaborar. Scully então diz que o seu medo se deve à batalha judicial que está travando para conseguir a custódia de Jordan com a família de Catherine, que alega que ele não é um bom pai e que está obcecado pela idéia do fim do mundo, pondo sua filha em segundo plano. Frank então resolve falar e cita o ‘Grupo Millennium’ que tinha a crença na época das Revelações e que esta época já estaria entre nós. Com a ficha dos quatro homens na mão ele diz que o grupo também acreditava na batalha entre Deus e o Diabo, como foi descrito no Livro das Revelações e que esta já estava prestes a acontecer. Segundo Frank, os quatros homens morreram propositalmente sabendo que seriam ressuscitados e trazidos de volta como os Quatro Cavaleiros do Apocalipse com a missão de fazer com que tudo realmente acabasse e recomeçasse no amanhecer do novo milênio. Mulder completa que eles seriam os responsáveis pela chegada das guerras, da fome, das pestes e da morte, e este seria o verdadeiro Armageddon.


Mulder diz que os suicídios estão ligados diretamente ao caso e ao necromancista que acredita estar conduzindo uma missão divina. Frank afirma que logo quando ele souber que o corpo foi encontrado, ele retornará para ressuscitá-lo. Mulder diz que a principal preocupação no momento é encontrar os quatro mortos zumbis. Faltando 14 horas para a chegada do ano 2000, os agentes se dividem e Scully vai até o necrotério onde o corpo do policial se encontra para autópsia. No caminho, ela recebe o telefonema de Mulder avisando a ela para que os grampos da boca dele não sejam retirados. Mulder, usando o perfil de Frank sobre o necromancista, acredita que quando ele “matou” o policial, próximo ao local onde mora e decide voltar lá. No necrotério, a doutora dá inicio a autópsia e retira os grampos da boca notando que dentro ela está cheia de sal. Enquanto ela retira os grampos e o sal, o telefone toca e ela sai para atender – é Scully, que diz para ela não iniciar a autópsia. A dra. diz que é tarde pois ela já começou. Scully ordena para que ela pare imediatamente, enquanto isso o policial se levanta e a ataca.


Algum tempo depois, Scully chega ao necrotério que está com todas as luzes apagadas. Ela saca a arma e vai andando pelas salas, até que encontra o telefone com manchas de sangue e a doutora caída no cão sangrando. Ela abaixa para ver se ainda está viva. Johnson está no local escondido. Scully se vira e vê o policial vindo em sua direção. Ela dispara contra o peito do zumbi, sem efeito. Desesperada, Scully deixa sua arma cair e o zumbi continua vindo em sua direção, quando a câmera escurece. Skinner chega ao necrotério e vê a doutora sendo levada em uma maca. O corpo do policial está caído no chão com as marcas de tiro no peito e na cabeça. Skinner entra em uma sala e vê os três corpos sobre a mesa e levanta o lençol de um achando que é Scully, mas a agente chega por trás do Diretor Assistente e diz que o policial a atacou. De fato, ela está com diversas marcas e ferimentos no pescoço. Ela explica a Skinner que o policial estava deitado na mesa, morto, e quando se virou ele não estava mais, tinha ganhado vida. Scully associa o acontecimento com a teoria de Mulder.


Mulder está em frente à casa do necromancista e tenta ligar para Scully, mas não consegue pois o seu telefone celular está fora da área de cobertura. O agente então sai do carro e vai em direção à porta da frente da casa. Enquanto tenta abrir a porta, encontra uma lata de lixo com um saco de sal dentro. Mulder pega um punhado daquele sal e coloca no bolso. Após conseguir entrar, vasculha a casa e nota a chegada de Johnson. Procura um esconderijo e acaba entrando no porão escuro e logo dá de cara com três zumbis. Johnson descobre a presença do agente no porão e tranca a porta. Só é possível escutar os tiros. Scully volta ao hospital onde Frank está internado e diz que desconhece o paradeiro de Mulder, mas suspeita que ele tenha ido de encontro ao necromancista e questiona o poder de Deus e do Diabo.


Frank se nega a ajudar a agente, alegando que ela pode encontrar o que procura. Scully questiona a crença do ‘Grupo Millennium’ no fim do mundo, mas sem a cooperação de Frank, ela vai embora e recebe a ligação de Skinner dizendo que os registros telefônicos de Frank indicam que ele recebeu algumas chamadas de sua filha Jordan e outros do condado de Rice, Maryland. Skinner, no entanto, afirma que os outros homens que se suicidaram também haviam recebido telefonemas deste mesmo número alguns dias antes. Ele passa o endereço referente ao número para a agente. Mulder está no porão de Johnson e está com um circulo de sal em volta, ele está ferido. Frank pede alta no hospital e diz que não tem intenções de voltar ao tratamento. Ele vai até a casa de Johnson.


Na casa de Johnson, este diz para Frank: "Nós tínhamos desistido de você", e fica claro que originalmente Frank havia sido escolhido para ser um dos quatro cavaleiros. Johnson também diz que eles mataram a mulher dele e tiraram sua filha mostrando a impunidade na época atual, mas Johnson é otimista e afirma que na nova era tudo será diferente. Ele diz que Mulder “matou” um dos quatro zumbis com um tiro na cabeça e que agora ele pode tomar o lugar de volta e dá uma arma para Frank exigindo que ele se mate e começa a cantar a canção de ressurreição, mas Frank aponta a arma para Johnson que começa a argumentar como um pastor versos da Bíblia, mas Frank ignora e o amarra. Logo em seguida sai pela casa à procura de Mulder. Ele grita o seu nome e o agente responde.


Frank o encontra no porão e fala que podem haver outros zumbis pela casa. Mulder diz que eles estão escondidos e que talvez um tiro na cabeça possa detê-los. Neste momento um pula sobre Frank que atira, deixando o corpo cair no chão. Scully chega no local e sai rapidamente do carro. Frank ajuda Mulder a se levantar e os dois são atacados, Frank é agarrado pelo zumbi e Mulder vem por trás com a arma e atira na cabeça. Scully consegue entrar na casa e procura por Mulder. No porão, Frank é ajudado pelo agente. Eles são surpreendidos por um terceiro zumbi, Mulder aponta a arma para a cabeça dele, mas o carregador está sem balas. Quando o zumbi se aproxima, ouve-se um tiro. É Scully que atira por trás. Ela então ajuda os dois.


Estamos no hospital, na véspera de ano novo, a alguns minutos da virada do milênio. Frank está sentado num sofá em uma sala de espera assistindo a um programa especial do Dick Clark. Ele está devidamente tratado com faixas e curativos. Scully entra e diz que Johnson está preso e receberá o tratamento recomendado por ele em uma clínica para perturbados mentais que previne suicídios. Scully informa a Frank que alguém veio visitá-lo. Jordan entra e abraça o pai que sorri feliz ao ver a filha. Mulder entra na sala, e está com o braço enfaixado. Frank se despede e diz para Mulder e Scully tomarem cuidado. Depois ele vai embora com Jordan. Os agentes ficam sozinhos assistindo à televisão na qual se inicia uma contagem para o ano novo. Quando o relógio marca meia-noite, um casal se beija na tela e uma multidão começa a gritar e cantar saudando a entrada do ano 2000. Mulder se abaixa vagarosamente e beija Scully. O beijo dura alguns segundos e após isso ele sorri e olha desconcertantemente para ela e diz: “O mundo não acabou”. Scully responde: “Não, não acabou.“. Eles desejam “feliz Ano Novo” um ao outro. Mulder passa o braço ao redor do ombro de Scully, e os dois deixam a sala.

COMENTÁRIOS

- Os depoimentos abaixo são do livro "all things: Official Season 7 Episode Guide", de Marc Shapiro:


Vince Gilligan: "De repente ficou fácil fazer [um crossover de Arquivo X com Millennium] já que Millennium tinha saído do ar. Desde o começo, a intenção não era concluir Millennium mas responder a questão de como seria se Frank Black entrasse no mundo de Mulder e Scully."

John Shiban: [a história foi difícil de escrever] "até que percebemos que a história precisaria ser um Arquivo X e que qualquer final no estilo Millennium que conseguíssemos teria que vir depois. Tínhamos que fazer como sempre, que era seguir Mulder e Scully durante o caso."

Frank Spotnitz: "Nossa primeira responsabilidade era com a audiência de Arquivo X. Nós não podíamos trazer nada de Millennium que pudesse confundi-los. Por outro lado, não queríamos prejudicar as pessoas que viam Millennium e adoravam Frank Black."

Foi durante as sessões da história que Shiban veio com a idéia do beijo entre Mulder e Scully na virada do milênio. "Pareceu o clímax lógico da relação entre eles. Eles estavam na direção daquele beijo há anos e quase fizeram no filme do Arquivo X. Foi na verdade Frank [Spotnitz] quem sugeriu ser um reveillon e que alguém teria que beijar alguém."

Chris Carter: "Sabíamos que o ângulo do zumbi seria complicado pois já tínhamos feito histórias com zumbis. Eu sabia que o grau de dificuldade seria alto. Eu também sabia que nós queríamos ter certeza que fizemos a inclusão de Frank Black no episódio o mais interessante possível, não só pelo personagem mas também por Lance Henriksen. Lance estava nos fazendo um favor voltando."

Gillian Anderson: "Não houve problemas em trabalhar com Lance. Eu acho que todos conectados com a série apreciaram tê-lo ali e feito parte das histórias. Além disso ele foi um grande profissional e bem fácil de se trabalhar."

Gillian Anderson: "David e eu sabíamos que o beijo estava vindo. Eu senti que os editores do episódio trabalharam de uma forma bem efetiva. Quando estávamos filmando a cena, o diretor deixou tudo mais lento e mudou os ângulos de câmera. Aquela cena foi feita para durar mais do que deveria."

Chris Carter: [sobre os fãs e o beijo]: "É algo que estávamos esperando há muito tempo. E eu fiquei feliz que não deixamos o gesto barato em troca de conseguir mais audiência. Tudo veio de uma forma muito natural."