7x15: "EN AMI" (A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE)


A família McPeck está voltando para casa. No banco de trás do carro está o filho, Jason, de onze anos. No caminho eles atravessam por uma multidão que está protestando com gritos e cartazes. Jason tem câncer e a religião de sua família prega a cura de doenças através da medicina. Já é noite, e em meio a uma tempestade, uma luz brilha do lado de fora do quarto do garoto. Jason acorda com o som das árvores batendo contra sua janela. Ele se levanta e vai olhar. O garoto vê alguns homens no meio das fortes luzes.


Em Washington, Scully está saindo para o trabalho quando encontra um jornal no chão, em frente a sua porta. A matéria está falando sobre Jason e como ele foi curado por anjos. No escritório, Scully está pronta para dizer a Mulder a sua opinião sobre o assunto, mas ele precede sua notícia, dizendo que alguém da Agência de Projetos Avançados de Defesa (DARPA) lhe mandou um e-mail anônimo sobre o garoto. O agente diz que irá até o DARPA e pede a parceira que vá investigar o caso para descobrir o que realmente aconteceu com o menino. Mulder ironiza dizendo que, se foi um anjo que curou o garoto, foi Roma Downey ou Della Reese (que podem ser vistas no Brasil como personagens do seriado “Touched By Angel”, ou "Caiu do Céu".)


Scully vai ver Jason em Goochland, Virginia. O menino realmente está melhor, mas talvez isso se deva a um pequeno detalhe: o garoto tem um implante na nuca. Quando Scully volta para o carro, ela encontra o Canceroso sentado no banco do carona. Irritada a agente grita com o fumante para que ele saia. Ele pergunta se ela, como médica, não está curiosa sobre o chip que foi implantado na nuca do garoto, e também nela. O Canceroso diz a Scully que percorreu grandes distâncias para provar suas intenções - o jornal e o e-mail como meios de demonstrar suas intenções de salvar o garoto. Ele diz a ela que está morrendo, e que ele quer fazer as coisas certas e dividir seus segredos; é por isso que está usando a cura para salvar as pessoas que precisam. Scully pergunta se ele quer entregar a cura para eles, e ele diz que ele quer entregar somente para ela, e não para Mulder, sendo assim a agente não poderá dizer nada para o seu parceiro. Ele a faz prometer que não contará nada ou levará seus segredos para o túmulo. Ele sai do carro e deixa um pedaço de papel com número no banco.


De volta ao escritório, Scully liga para o número deixado pelo fumante (202-555-1030). Ela desliga e decide rastrear a ligação. No endereço referente, ela entra no que parece ser uma instalação governamental, e, ao tentar sair, os guardas a barram. Ela diz que cometeu um engano e entrou pela porta errada, mas, mesmo assim, os oficiais pedem para ver sua identidade. A agente mostra a eles a identidade e eles entregam a ela uma credencial de visitante, pois ela está sendo esperada. Scully entra em uma sala na qual a placa da porta mostra o nome "C.G.B. Spender". Ao entrar, não nota que está sendo observada. Dentro da sala, Scully conversa com o Canceroso. Ele diz a ela coisas sobre ter trabalhado muito e, no final, tudo o que construiu foi arruinado. Scully pergunta ao fumante sobre a doença que o está matando. Ele conta que está sofrendo de uma inflamação cerebral em conseqüência de uma cirurgia que fez no outono. Os médicos deram a ele apenas alguns meses de vida.


Scully pergunta se ele quer usá-la para se redimir e fazer dele uma pessoa respeitável. Ele conta que muitas pessoas estão morrendo de câncer, e eles estão perdendo tempo com o passado. Scully pergunta onde está a cura miraculosa, e ele diz que, para encontrá-la, precisam viajar e que isso levará alguns dias. Ela diz que dará a resposta depois e se vira se dirigindo a porta. Ele tenta impedir, e diz que tem acesso a um chip miraculoso, desenvolvido através de pesquisas genéticas que provam o seu funcionamento, mas eles estão bem guardados. O Canceroso diz que há homens que seriam capazes de matá-los num piscar de olhos caso tenham conhecimento da oferta que está sendo feita a ela. Ele tenta convencê-la dizendo que destruiu muitas coisas na sua vida, incluindo as pessoas que eram mais preciosas para ele, e tudo o que ele quer é uma chance de fazer uma boa ação para a humanidade antes de morrer.


Mulder chega em casa e aciona a secretária eletrônica para checar os recados. Uma das mensagens é de Scully avisando que ficará fora da cidade por alguns dias devido a uma emergência familiar e que ligará para ele assim que puder. Em seu apartamento, a agente Scully está fazendo as malas, quando o telefone toca. Ela não se interessa em atender e deixa que a secretária eletrônica responda a chamada. É Mulder quem está ligando. Antes de sair ao encontro do Canceroso, que a espera na sala, ela desabotoa sua camisa e fixa um gravador dentro do sutiã. Scully está dirigindo um carro sob a ordem do fumante, que a guia verbalmente até o destino, mas ela está assustada porque não sabe se está fazendo a coisa certa. Scully está incomodada com o gravador na camisa, enquanto ele começa a fumar. Incomodada, ele joga o cigarro fora pela janela e diz a ela que é hora de parar e que nenhum sacrifício é puramente altruísta. As pessoas dão, esperando receber e justifica como sendo um ato de "confiança".


Na sua opinião, Scully o questionou, e a sua sinceridade, achando que ele não tem coração, e pergunta a ela se aliviaria a opinião sobre ele caso ele confessasse o fato de sempre ter tido uma afeição especial por ela. Ele assegura que suas intenções são boas e diz que tem afeição por Mulder, mas que por ela é especial. Ele já teve a vida da agente nas mãos, e curou o seu câncer. Ele pergunta a Scully se ela pode imaginar como é o poder, pois ele está dando isto a ela. Mulder está preocupado com Scully e vai até o apartamento dela. O síndico do prédio diz a Mulder que Scully saiu com um "motorista" que, pela descrição, Mulder reconhece como sendo o Canceroso. Ainda dirigindo, o Canceroso continua a conversar e diz que ela já está dirigindo há muito tempo e que deveria deixar que ele dirigisse um pouco. Ela diz que pode se disser onde eles estão indo. Ele pergunta se isso irá deixá-la mais à vontade e fazer com que ela confiasse nele, e quanto tempo levou para Mulder ganhar sua confiança. Scully responde que sempre confiou em Mulder. Ele rebate dizendo que talvez ela não esteja sendo honesta consigo mesma e pede para que se lembre no passado, onde temia por sua carreira, por seu futuro e quando foi pela primeira vez designada para trabalhar ao lado do agente.


Scully estranha a conversa do fumante, que tenta esclarecer e afirma estar falando sobre o relacionamento dela com os homens. Ele tem observado a agente há anos e sabe que ela se sente atraída por homens poderosos, mas tem medo do poder deles, que se mantém em guarda; um muro circunda o seu coração. Seria esta talvez a única maneira de explicar essa devoção por um homem obcecado por uma vida solitária? O Canceroso chega à conclusão de que ela morreria por Mulder, mas não se permitiria amá-lo. Enquanto ele fala, Scully não diz nada e permanece em silêncio - sabe que, de certa forma, isso tudo é verdade. Scully está surpresa por ele saber isto e diz que a vida inteira ele agiu como um destruidor, mas que antes de morrer ele quer provar que pode ser capaz de mais. Ele interrompe dizendo para ela virar à esquerda, pois ele quer mostrar do que ele é capaz. Enquanto eles dirigem, a câmera mostra o homem que vinha observando Scully desde o escritório. Ele está seguindo os dois. Eles chegam até a casa de uma mulher, Marjory Butters. O Canceroso diz a Scully que ela o considera seu anjo, pois salvou a vida dela. Marjory tem 118 anos e quando Scully vê a mulher ela observa a marca no pescoço. Depois que Marjory entra na casa, o Canceroso diz a Scully que é ótimo sentir que ela está bem, porque ele a salvou e que isso se deve também ao motivo pelo qual ela se tornou médica.


O diretor-assistente Skinner e Mulder estão preocupados com Scully, mas não conseguem encontrá-la, já que ela levou um veículo do FBI e sua mãe não sabe nada sobre emergência familiar. Scully liga para Skinner e diz que está tudo bem, mas ela não irá falar diretamente com Mulder que se convence de que ela está com problemas. Scully pára o carro num posto de gasolina e diz para o Canceroso que ela tem que ir ao banheiro. Enquanto isso, ele coloca gasolina no carro. Dentro do banheiro, depois de checar que ninguém está lá, Scully fala no gravador como se estivesse conversando com Mulder. Ela diz que está a salvo e descreve a sua localização. Em seguida ela tira a fita e coloca em um envelope destinado a Mulder. Na saída do banheiro, Scully coloca o envelope numa caixa de correio e depois volta para o carro. No banco do motorista, o Canceroso diz a ela que ainda falta muito para chegar. Quando os dois saem, o homem que estava seguindo eles, pega a carta que Scully ia enviar para Mulder.


Finalmente, eles chegam ao destino. Scully está dormindo no banco do passageiro, e o Canceroso gentilmente retira uma mecha de cabelo que caiu sobre os olhos dela. Os Pistoleiros Solitários chegam ao apartamento de Mulder disfarçados. Na manhã seguinte, Scully acorda numa cama nada familiar, vestindo um pijama. Ela procura em todo lugar pelo gravador e percebe que ele ainda está preso a ela. Scully se levanta e vai até a cozinha e grita com o Canceroso dizendo que ele a drogou. Ele diz a ela que não fez isso e que ela somente dormiu e ele a carregou para a cama e trocou suas roupas para que ela se sentisse mais confortável. Scully pergunta onde eles estão, e ele diz estão em Milford, Pennsylvania. Scully reclama dizendo que isso não era parte do acordo e que não quer saber mais o que ele tem a dizer. Enraivecida, ela sai. O Canceroso diz que ela pode ir a hora que ela quiser, e ela decide ficar.


Enquanto isso ela continua a ser observada pelo homem, que está escondido nas proximidades da casa. Mulder e os Pistoleiros Solitários entram no apartamento de Scully e lá encontraram o laptop da agente com alguns e-mails que ela recebeu de uma pessoa chamada ‘Cobra’. Mulder e os Pistoleiros entram sem permissão no escritório de Skinner carregando o laptop e dizem que alguém estava interceptando a correspondência de uma pessoa chamada ‘Cobra’ que estava mandando para Scully. Um dos e-mails fala de um encontro e de uma troca. Mulder está triste e acha que sua parceira está com problemas ou até mesmo em perigo. Já são 6:22 da noite, e o Canceroso vai até o quarto de Scully para dar a ela uma roupa, a ser usada em um jantar. Os dois entram no restaurante e Scully está linda. Ele explica que o cientista ‘Cobra’ estará ali para encontrar com eles. Ele quer que o ‘Cobra’ ganhe a confiança de Scully e saiba que o que ele vai entregá-la estará em boas mãos. Ele diz a ela que não é uma cura para o câncer, mas sim a cura para todas as doenças humanas. Ela pergunta a ele como, e ele diz que é extraterrestre.


Scully acha que ele quer curar a si próprio. O Canceroso diz: “O que faz milagres também pode fazer mal. Existem aqueles que usariam este poder para seus próprios propósitos, escolher quem irá viver ou morrer”. Teoricamente, o Canceroso também pode ser curado... Tudo que ele contou a ela sobre fazer tudo certo e sobre ser solitário. Em seguida ele pede licença e sai. Atrás de Scully, um homem está vigiando ela. Do lado de fora, o homem que vinha seguindo se aproxima do Canceroso, que diz a ele que o ‘Cobra’ ainda não apareceu e que eles precisam esperar. Ele diz ao Canceroso que a agente Scully não vai esperar para sempre, mas ele só está ali para fazer o seu trabalho. De volta à mesa, Scully recebe uma nota de ‘Cobra’ sobre onde ir.


O Canceroso e Scully se dirigem para um pier, e ela sai em um barco a motor. Depois de algum tempo, ela vê ‘Cobra’, que lhe entrega um disco digital e diz que eles não podem mais se corresponder. Scully diz que eles nunca tinham conversado antes. ‘Cobra’ acaba ficando confuso e assustado. De repente, um tiro acerta ‘Cobra’, e em seguida o homem começa a atirar em Scully, mas ela se abaixa se esquivando dos tiros. O Canceroso vem por trás do atirador e o mata. Scully vai até o Canceroso e pergunta o que aconteceu. Nervosa, Scully entrega o disco e ele devolve a ela dizendo que ele quer que ela fique com ele. Scully então pega e diz que tem que ir. Os Pistoleiros estão analisando o CD no apartamento de Mulder que parece triste pelo que aconteceu, e eles dizem a Scully que o disco está vazio.


São 4:32 da tarde, e Mulder e Scully voltam ao prédio onde o Canceroso trabalhava. O escritório está completamente vazio. Mulder diz a parceira que ela foi usada, mas ela tem certeza que o Canceroso estava lá. Mulder acha que ela viu o que ela precisava ver para fazer com que ela acreditasse. Ela menciona Jason e sua misteriosa cura. Mulder pergunta se eles conseguiriam convencer os pais a deixá-los examinar e que o plano foi perfeitamente orquestrado. O que ele não consegue saber é o porquê dela ainda estar viva. Ela diz que olhou nos olhos dele e sabia que ele estava dizendo a verdade. Os agentes continuam falando enquanto na tela vemos o fumante. Ele está sentado em uma cadeira bebendo vinho. Scully pergunta a Mulder se ele acha que o Canceroso a usou para se salvar, ao custo de milhões de vidas. Mulder diz que o Canceroso sabe quanto a ciência vale e não deixará que nada fique em seu caminho.


O episódio termina com Scully dizendo: “Por um momento eu vi algo mais nele, uma busca por alguma coisa mais forte que poder. Talvez por alguma coisa que ele nunca poderia ter”. A câmera fecha no Canceroso que está sentado nas margens do lago com o verdadeiro disco digital. Ele contempla o disco, e então tristemente o joga na água. Ele acende um cigarro e começa a fumar enquanto a tela escurece.

 

COMENTÁRIOS


- Este episódio foi escrito pelo ator William B. Davis, que faz o papel do Canceroso, e dirigido por Rob Bowman.

- Os depoimentos abaixo são do livro "all things: Official Season 7 Episode Guide", de Marc Shapiro:
Gillian Anderson: "Deve ter sido uma sedução na mente do Canceroso, mas não na de Scully. Ela sabia o tempo todo que estava apenas jogando com ele para conseguir seus segredos."

William B. Davis: "Eu sempre disse que se eles não me dessem uma cena com Gillian, eu mesmo escreveria uma sozinho. Sim, há muito de 'Ricardo III` na minha idéia para 'En Ami', mas o principal para mim foi até onde o Canceroso iria para conseguir ganhar a afeição de Scully."

Frank Spotnitz: "'En Ami' foi mais outro daqueles roteiros que passam por uma grande evolução. Houve muita correspondência e muitas ligações interurbanas."

Nas primeiras discussões Spender e Krycek estavam na história, segundo William B. Davis.

William B. Davis terminou o primeiro rascunho em quatro semanas e então gastou quatro dias em Los Angeles reescrevendo com Frank Spotnitz e John Shiban.

John Shiban: "Sentado na sala com Bill, eu realmente consegui ver seu ponto de vista. Ele realmente acreditava que o Canceroso era o herói romântico de 'Arquivo X'. Ele teve uma atitude sobre a história como sendo uma história de amor. Bill Davis vai admitir livremente que ele não é um escritor, então levou algum tempo para nós conseguirmos modelar a história."

Frank Spotnitz: "A relação entre Scully e o Canceroso era uma que não tínhamos explorado ainda. Não é um problema de direção que você vai dizer sim a um de seus atores para ele poder escrever um roteiro. Eu achei que era muito boa a idéia para não experimentarmos. Mas a última coisa que a audiência queria ver era Scully confiando neste homem que ela passou sete anos odiando. Como fazer essa transição de uma forma aceitável foi uma das coisas mais difíceis sobre fazer esse roteiro funcionar."

William B. Davis: "Eu fiquei basicamente feliz com o jeito que ficou, apesar do fato de haver muitas outras idéias que eu tinha que eu não pude ver. Minha concepção original da história era que o Canceroso fosse um ator muito melhor ao conseguir a afeição de Scully e que Scully ficasse de alguma forma menos resistente a atenção dele com ela. Mas o roteiro teve que ser redirecionado."

Chris Carter: "Definitivamente houve algumas mudanças e alguns novos pensamentos enquanto o roteiro passava pelos seus vários rascunhos diferentes. A grande questão levantada pelo roteiro foi quais sentimentos que Scully realmente tinha em relação ao Canceroso. Ela o considerava como o diabo reencarnado. Bill questionou se era verdade ou não baseado na sua interpretação do personagem."

Mitch Pileggi: "Foi um personagem difícil [Skinner] para dizer que ele cresceu bastante. A natureza do personagem e o que ele tem que fazer não influencia muito no crescimento. Ei teria que dizer que ele está bem preso."

Bruce Harwood: "Eu me lembro deste episódio porque nós tínhamos que supostamente nos esconder e estávamos disfarçados um como o outro. Eu teria que ser Dean Haglund então eles pentearam meu cabelo para que eu parecesse que tivesse enfiado um dedo na tomada. Tom Braidwood estava usando uma peruca horrível. Aquele episódio foi um alívio para mim porque geralmente eu sou o cara de terno e leva um tempão para eu me vestir e Dean está sempre usando jeans, camiseta e usando seus próprios óculos. Para mim, aquele episódio foi realmente relaxante."

William B. Davis [sobre a cena do restaurante]: "Por causa da situação do roteiro, nós filmamos as cenas de Gillian no restaurante num dia e as minhas em outro dia no mesmo estúdio."

Chris Carter: "O que vemos é que ela despreza completamente esse homem além de suas habilidades para expressar isso. Este pode ter sido o episódio mais assustador do ano."