7x16: "CHIMERA" (QUIMERA)


Uma menina, Michelle, está correndo a procura de ovos de Páscoa enquanto sua mãe, Martha Crittendon, conversa com sua amiga Ellen. Martha está zangada porque uma mulher, Jenny, está lá. Michelle continua procurando pelos ovos quando vê um corvo e grita. De noite, após Martha colocar sua filha pra dormir, ela liga para seu marido para pedir que volte para casa, pois sua filha está assustada e quer vê-lo. De repente um corvo entra na casa. Ela vê um monstro no espelho, que se quebra, e em seguida é atacada pela criatura.


Mulder e Scully vigiam um clube de striptease; eles procuram por uma mulher que acreditam ser uma serial killer. Scully está cansada e quer voltar para casa. Enquanto conversam, uma van estaciona e é possível ver nela logotipos religiosos. Skinner liga para Mulder. Ele fala sobre um caso de desaparecimento, envolvendo uma mulher chamada Martha. Skinner diz que o marido de Martha é um juiz, e fez com que o caso se tornasse prioridade nas investigações do FBI, e agora Skinner está designando Mulder para as investigações. Ele pergunta se poderia haver alguma ligação com fenômenos paranormais e cita algo sobre um corvo. Mulder diz que o corvo está relacionado com uma simbologia que inspira a maldade. Skinner ordena que Scully continue sozinha as investigações no clube de striptease.


Mulder vai para Bethany, Vermont, onde Martha desapareceu. O amigo do marido de Martha já está lá; ele é o xerife Phil Adderly e Ellen é sua esposa. O xerife conta ao agente Mulder que não houve nenhum pedido de socorro, solicitação de resgate, impressões digitais ou evidência de sangue. Mulder está analisando o cômodo e nota cacos de um espelho estilhaçado e alguns arranhões. Mulder sugere que poderiam ser de corvos. O marido de Martha, Howard, aparece para falar com o agente. Ele acha que sua vinda à cidade pode ter sido em vão e diz que encontrou pílulas anticoncepcionais nas coisas dela. O casal tinha concordado em não ter mais filhos - ele fez vasectomia - sendo assim sabia que ela o estava traindo. Howard também encontrou uma chave com o número seis, escrito.


Do lado de fora está Ellen com seu bebê. Ela está colando cartazes anunciando o sumiço de Martha. Ela esbarra em uma mulher que estava com Martha e pede para ela ajudar a colocar os cartazes em outros quarteirões da vizinhança. A mulher a trata com indiferença. Ellen olha para o reflexo na janela do carro e vê o monstro. O espelho se quebra instantaneamente. Na casa do xerife, ele conta a Mulder que não sabe quem ela estava vendo. Não existem registros de ligações telefônicas ou qualquer outra coisa. Ele pergunta se existe alguma possibilidade de que a pessoa tenha a levado para machucá-la, e Mulder não acha que isso seja possível.


Observando um livro, Mulder constata que as marcas na capa de Martha combinam com a de um corvo. Phil pergunta se ele acha que os corvos são a razão para o desaparecimento dela. Mulder diz que não sabe, mas que, no folclore, os corvos são uma companhia para a maldade. O xerife não acredita nas histórias de Mulder. O agente fala que também havia um espelho quebrado na casa dela, e que os espelhos são considerados itens de encantamento, e quebrados poderiam significar alguma coisa. Ellen chega com sua filha Katie e sugere que Mulder se hospede na casa deles. Mais tarde, na casa do casal, Mulder se senta para jantar com os dois. Scully liga para o seu celular, e reclama que quer voltar para casa. Enquanto conversa com o parceiro, Scully vê a mesma van que antes estacionou no clube, mas não acha nada estranho. Ela diz que até agora ela não viu nenhuma mulher misteriosa. Mulder apenas pede para ela esperar, porque ela aparecerá. Scully, nervosa, diz que não será antes que ela morra de desnutrição. Na mesma cena, Ellen está servindo Mulder; ele diz que não quer alcaparras e Scully escuta. Mulder diz que ligará mais tarde.


Michelle e o pai estão comendo quando eles vêem um corvo. Howard vai até o lado de fora checar e encontra um monte de corvos bicando uma mão humana no chão. Algum tempo depois, Mulder e o xerife estão na cena do crime. Os técnicos encontram um corpo: é o de Martha. O rosto dela está bastante arranhado. O xerife pergunta a Mulder sobre os corvos, pois Howard os tinha mencionado. O legista diz que eles estavam comendo o corpo dela. O xerife diz que não vai prender Howard, porque sabe que ele não fez isso, e Mulder concorda. Ellen aparece no local, mesmo o marido tentando impedir que ela veja, e fica chocada ao ver o corpo - então diz que viu a coisa que matou Martha.


Na casa, Ellen conta a Mulder e ao marido que viu um monstro em um reflexo. O marido não acredita nela, mas Mulder sim. Ele não acha que a janela quebrada e o espelho de Martha sejam coincidências. Mulder diz que os espelhos são considerados portais e que na era vitoriana (1837-1901) eles construíam espelhos chamados ‘cyclomantiums’, onde poderiam invocar espíritos do mundo dos espíritos e os corvos são atraídos por morte e ruína. Ele teoriza que a entidade que ela viu é de alguma forma a personificação disto, e foi invocada para atacar Martha. Agora a pergunta é: Quem fez isso? Mulder pergunta se Martha tinha inimigos.


O xerife e Mulder interrogam Jenny. Ela diz que não cometeu o assassinato. Mulder pergunta onde ela estava na hora do crime, e ela diz que estava em casa. Eles não acham que ela tenha assassinado Martha, mas Mulder pergunta ao xerife porque ela mentiria sobre seu álibi. Neste momento, o celular de Mulder toca e o xerife diz está esperando no carro. É Scully. Ela diz que, quando o parceiro a encontrar morta, será preciso que ele saiba que seus últimos pensamentos foram sobre ele. Ela diz que gostaria de matá-lo. Mulder ironiza e diz que sente muito. Scully continua no telefone, dizendo para Mulder que aquele lugar é um show bizarro. Mulder diz que o caso para o qual foi designado é mais interessante do que ele achava e que ele precisava da ajuda dela. Mulder diz que ela precisa fazer uma autópsia em um corpo. De repente Scully nota a van novamente e diz a Mulder que falará com ele mais tarde.


Ellen está limpando a casa, quando encontra uma chave igual a que tinha na casa de Martha. Ela vê um corvo no quarto da filha e então um monstro no espelho. Antes que ele se quebre, ela se esconde dentro do armário com a filha até que seu marido chegue. Ellen diz a Mulder e ao marido que o monstro voltou para caçá-la, novamente. O xerife não acredita nela. Ele pede a Mulder para que ele não encoraje a mulher. Ele diz que olhou por todos os lados e não achou nenhuma evidência de que alguém tenha estado na casa. Mulder pergunta sobre os espelhos quebrados, mas ele acha que a mulher provavelmente os quebrou. Mulder nota a chave no chão e a pega; ela combina exatamente com a outra. Mulder pergunta a Ellen sobre a chave, mas ela não tem a menor idéia do que se trata; ela viu a chave apenas alguns segundos antes de ver o corvo e de ser atacada. O xerife leva a chave e diz que vai descobrir o que ela abre.


Durante a noite o xerife sai de casa sem ser notado. Ele vai para o motel Pineview. No quarto seis, Jenny está esperando por ele. A câmera vira e fecha o ângulo no teto de espelhos. De manhã, Mulder acorda e toma o café que Ellen preparou. O marido dela não está. Ela explica que ele provavelmente foi atender algum chamado e que logo estará de volta. Eles começam a conversar, e Ellen diz que está tendo um sentimento que não está acostumada a ter, o de alguém a protegendo. Mulder diz que é apenas uma maneira diferente de entender o que está acontecendo. Ellen diz que não notou um anel de noivado nos dedos dele e pergunta se ele tem alguma pessoa importante para ele, uma pessoa significativa. Mulder dá um leve sorriso.


Ela diz que um dia a mulher certa irá aparecer e mudará tudo e que as oportunidades de se construir uma família não devem ser jogadas fora. Neste momento o xerife volta e Ellen sai para ver Katie. O xerife pergunta a Mulder se ele dormiu bem, e o agente responde que só levantou uma vez: quando ouviu o xerife sair. Mulder conta alguns detalhes sobre a autópsia. Martha estava grávida de quatro semanas quando foi assassinada; apesar das pílulas anticoncepcionais, ela provavelmente nem sabia disto. Ele pergunta ao xerife quem ele acha que poderia ser o pai, já que o marido dela não tinha condições de ser. Ele insinua que pode ser o xerife e pede de volta a chave. Quanto o agente pega a chave, diz que quando descobrir o que aquela chave abre, então seria a hora deles conversarem novamente. Jenny está falando ao telefone com o filho, Brett, e está pronta para sair, quando o monstro a ataca. Em seguida ela vê os corvos do lado de fora da janela. Antes de morrer, ela crava um dos pedaços do espelho no ombro do monstro.


Mulder está na cena do crime, onde ele testa a chave no quarto, e a chave funciona. Mulder pressiona o xerife, que admite que estava dormindo com Jenny e com Martha. Ele diz que queria se divorciar de Ellen, mas ela engravidou e não aceitaria isso. Ele deixa claro a Mulder que quando saiu deixou Jenny dormindo, e não matou ninguém. O xerife pergunta se é possível que tudo aquilo esteja acontecendo por sua causa - ele não acha que tenha sido o responsável por trazer a tal entidade. O xerife então deixa uma mensagem para sua esposa dizendo que precisa conversar com ela, e que Mulder está indo ao encontro dela. Ellen chega em casa, e coloca o neném na cama. Ela tem um enorme arranhão em seu próprio ombro.


Ellen entra no banheiro para tomar banho e sente alguma coisa no ombro. Ela tem um grande arranhão. Ellen se assusta e começa a ter flashes de estar atacando uma mulher, e se dá conta do que aconteceu. Mulder entra na casa, chamando por Ellen, e de repente o celular dele toca: é Scully. A agente diz que está livre e que vai para a casa tomar um banho, queimar as roupas que esteve usando durante as horas de vigília e dormir até a primavera. Ele pergunta se ela resolveu o Arquivo X. Ela diz que resolveu, mas que não era nenhum Arquivo X. Ela assegura que pegou a misteriosa serial killer, mas que na verdade não era nenhuma serial killer, nem era loira e muito menos era mulher. Scully diz que as seis prostitutas desaparecidas estão vivas e bem, em uma casa de recuperação. Elas foram levadas pela misteriosa loura, que acabou ficando claro como sendo Mark Scott Egbert, que desejava salvar almas perdidas ensinando a elas os ensinamentos cristãos. Ele se vestia como uma prostituta para fazer com que as moças ficassem mais à vontade. Ela faz referências a um lobo com pele de cordeiro, mas nesse caso ele era um cordeiro com pele de lobo. Mulder diz que ela fez um bom trabalho e que ligará para ela mais tarde. Em seguida o agente começa a ligar os fatos e perceber que a mesma coisa aconteceu no caso que está investigando.


Mulder desliga o telefone e novamente chama por Ellen através da porta do banheiro. Ela diz para ele ir embora. Mulder diz que o marido dela está sob custódia pela morte de Jenny, mas ele não acha que foi ele quem matou a moça. Ele pergunta onde ela foi, quando saiu de manhã. Enquanto ela toca o ombro, diz que não foi ela, e que não pode ser. Mulder diz que ele acha que é, e que ela tem um outro lado, que não quer encarar. Isso explicaria os espelhos quebrados (ela não quer ver o que realmente ela é). Mulder diz que ela precisa sair. Ellen responde ao agente dizendo que não pode e que tudo que ela pensava que tinha, era uma mentira.


A câmera gira e mostra que os olhos de Ellen se tornaram completamente negros. Ela diz que desejava que ele nunca tivesse ido lá. Mulder então tira sua arma e arromba a porta do banheiro. Ellen se transformou em um monstro e ataca o agente. Ela empurra a cabeça dele para debaixo da água tentando afogá-lo; quando enxerga o seu reflexo na água se assusta e deixa Mulder ir. Mulder se vira e observa apenas um espelho quebrado e uma Ellen assustada no canto do banheiro. Ellen é internada em um hospital psiquiátrico. O xerife diz a Mulder que sua esposa sofre de uma desordem dissociativa, um desvio de personalidade, mas que isso não explica o que aconteceu.


Mulder acha que isso é o mais próximo que a ciência pode explicar do que aconteceu. Ela tem múltiplas personalidades, mas no caso dela, é ainda mais extremo. Mulder acha que Ellen sabia que o seu marido estava tendo casos fora do casamento, que manteve a informação e teve que deixar elas extravazarem de alguma maneira e que ela fez o que fez para proteger a família. No quarto onde está internada, Ellen olha pela janela, e novamente vê corvos.

 

COMENTÁRIOS


- Este episódio foi escrito por David Amann e dirigido por Cliff Bole.


- Este episódio não tem muitas cenas com Scully, pois a equipe de produção lhe deu um tempo para se dedicar ao seu episódio (o seguinte, 7x17, que ela escreveu e dirigiu).

- O título do episódio, "Chimera", é o nome que se dá, na mitologia grega, à criatura que é parte leão, parte bode e parte cobra. Já cientificamente falando, uma "chimera", ou "quimera", é um organismo que contém dois ou mais tecidos de diferentes composições genéticas - pode ser produzido graças a mutação, transplante ou uma mistura de populações de células de diferentes zigotos.

- Os depoimentos abaixo são do livro "all things: Official Season 7 Episode Guide", de Marc Shapiro:

Chris Carter: "O conceito era a raiva de alguém tomar uma forma. A imagem do corvo sempre tem sido assustador e definitivamente havia algum potencial em explorarmos o subúrbio. Nós realmente queríamos ser pretensiosos, perceptivos e expor a parte mais frágil daquela comunidade."

Tanto David Duchovny como Gillian Anderson estavam pre-produzindo seus próprios episódios e ficaram disponível em um tempo limitado.

Greg Walker: "David Duchovny chegou e disse que tinha uma maneira de fazer aquilo." David Amann diz que foi a idéia de Duchovny era ter Mulder carregando a maior parte da história e orçamentar em apenas um dia a disponibilidade de Gillian numa história secundária 'que começa com Mulder e Scully numa tocaia procurando por um assassino serial antes de Mulder sair para investigar o caso escondido dela'."

Greg Walker [sobre o episódio]: "um paralelo suburbano sobre a perfeição. Termina sendo sobre uma mulher que quer controlar o mundo em volta dela."

David Amann: "Uma interessante história no estilo 'Dr. Jekyll e Mr. Hyde'."